Publicado 01 de Junho de 2015 - 5h30

O Brasil passa por importante momento de transformações, quando assuntos relevantes são levados a debate por grupos interessados, em verdadeira construção de uma sociedade mais aberta, tolerante, transparente e civilizada. Questões polêmicas vêm à tona em propostas que muitas vezes podem chocar e levantar indisposições contrárias, mas isso é parte inerente de um debate democrático. É preciso que cada tema seja abordado com tranquilidade, com argumentos despidos da intolerância e do desrespeito.

Não tem sido assim, na maior parte das discussões. Sempre que se propõe uma mudança de conceito relativo a uso e liberação de drogas, questões de gênero e identidade sexual, preconceito social e racial, liberdade religiosa, o que se vê são manifestações iradas, intransigentes, agressivas e, não raramente, desrespeitosas. O que deveria ser uma troca de ideias, no sentido da construção de um modo mais tolerante de encarar a sociedade, acaba se transformando em ponto de atrito.

A votação de uma emenda à Lei Orgânica do Município proibindo a inclusão da ideologia de gênero no Plano Municipal de Educação de Campinas colocou vereadores e cidadãos em clima de conflito. O debate na Câmara foi marcado por agressões verbais, desrespeito, intolerância, citações homofóbicas, onde prevaleceu de tudo, menos o bom-senso. De todas as partes, a radicalização era evidente e a ausência de um debate civilizado demonstrou a incapacidade de se chegar a um consenso. Todos pregavam a liberdade de crença e expressão, em meio a gestos e palavras de ordem que transmitiam o terrorismo ideológico, a afronta ao processo democrático e mesmo o desrespeito incivilizado ao ambiente de discussão.

Toda temática mais polêmica sugere pontos de vista opostos, daí a necessidade do amadurecimento do debate e da capacidade de convergir para um acordo explícito de tolerância e respeito a opiniões. Quando qualquer das partes prega a tolerância, e renega o argumento contrário, assume total contradição, dando azo a um espírito de imposição. É preciso considerar fatores culturais, religiosos, sociais, que influenciam e são caros para os demais. Avançar em questões que afetam o status quo é um trabalho de paciência, de imposição da lei para extinguir discriminação de minorias, de garantia de direitos de manifestação e crença, além de manter indevassáveis os valores individuais. Sem isso, não se tem debate: há apenas uma rixa mal resolvida que tende a se agravar quanto mais agressões são trocadas em todos os meios e níveis possíveis.