Publicado 30 de Junho de 2015 - 5h30

A péssima campanha da Seleção Brasileira na Copa América já foi suficiente para iniciar uma discussão sobre Dunga, o treinador que ganhou todos os amistosos que disputou, mas foi eliminado nas quartas de final da Copa América, a primeira competição que disputou desde que foi escolhido para substituir Felipão.

O futebol pobre apresentado em gramados chilenos foi suficiente para passar da primeira fase, mas nada além disso. Com mais uma apresentação medíocre, o Brasil empatou com o Paraguai e foi eliminado nos pênaltis, repetindo o vexame da Copa América de 2011.

Dunga, sempre que pode, ressalta a diferença entre jogar bonito e vencer. “Como vou explicar para alguém que o ruim ganha e o bom perde?”, perguntou aos jornalistas na sexta-feira, comparando as seleções das Copas de 1982 (elogiada e eliminada) e de 1994 (criticada e campeã).

A reverência mundial ao time de Falcão, Zico, Sócrates e Telê o incomoda demais e por isso o treinador valoriza tanto o “futebol de resultados”.

E é justamente por se apoiar tanto nesse aspecto que Dunga fica em uma posição difícil agora.

O Brasil estava desfalcado não apenas de Neymar, seu único craque, mas também de jogadores como Marcelo, Luiz Gustavo e Oscar. É quase meio time, mas sem eles não dá para ganhar nem de uma equipe que ficou em último lugar nas Eliminatórias da Copa de 2014, com dez derrotas em 16 partidas?

Além da performance pífia, Dunga cometeu outros erros na Copa América. Ele convocou mal, escalou mal e substituiu mal. E, para completar o ciclo, foi desastroso nas entrevistas e nas desculpas que encontrou para o fracasso.

Diante de tudo isso, faz sentido discutir a troca de comando na Seleção Brasileira? Eu acho que sim. A Holanda também trocou de técnico depois da Copa e ontem, com medo de ficar fora da Euro 2016, demitiu Guus Hiddink.

Às vezes ações assim são necessárias. Mas no caso da Seleção Brasileira, não é o momento de pensar no que fazer com Dunga. Se quiser voltar a ser respeitado e temido no mundo do futebol, o Brasil precisa de uma mudança estrutural. Enquanto o presidente da CBF estiver preocupado com investigações do FBI e da Polícia Federal, as coisas não vão melhorar.

Ontem, Marco Polo del Nero garantiu Dunga até 2018 (o que é aceitável), mas cometeu um erro terrível ao responsabilizar um jogador (Thiago Silva) pela péssima campanha no Chile. Isso mostra como não adianta nada trocar de técnico. A Seleção precisa, na verdade, de uma nova CBF.