Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h30

O Palmeiras queria repetir o que fez no Campeonato Paulista, quando atropelou o São Paulo no Allianz Parque. Fez até melhor do que isso. Ontem, goleou o rival por 4 a 0 de forma implacável e garantiu a festa na estreia do técnico Marcelo Oliveira na arena palmeirense. Já o Tricolor, mostrou que embora esteja na parte de cima da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro, tem uma zaga que causa pânico.

O gramado do Allianz Parque estava muito melhor do que o visto na partida anterior no estádio, contra o Fluminense. As duas equipes entraram em campo com formações bem parecidas.

O Palmeiras estava no 4-2-3-1 com Arouca subindo para ajudar no ataque. Já o São Paulo tinha Michel Bastos e Alexandre Pato aparecendo pelas pontas para ajudar Luis Fabiano.

Com mais posse de bola, o time do Morumbi teve o domínio inicial do jogo e Pato quase marcou um gol de placa aos 15’, quando deu um jogo de corpo e mandou a bola por baixo das pernas de Victor Ramos, driblou Arouca e bateu rasteiro, mas a bola foi na trave. O gol do Tricolor parecia que sairia a qualquer momento, já que o ataque palmeirense era algo praticamente inexistente.

Mas não foi isso que aconteceu. O início do massacre foi aos 31’. Egídio chegou na esquerda e cruzou na frente da área. Leandro Pereira deu um chute fraco, mas forte o suficiente para desviar em Souza e enganar o goleiro Rogério Ceni. O gol mudou o cenário e o psicológico dos atletas das duas equipes.

O organizado e equilibrado São Paulo deu lugar a um time perdido diante de um Verdão que acordou e foi no ritmo de sua torcida, na base da pressão. Victor Ramos, que foi humilhado por Pato, se redimiu. Pouco depois de ter acertado a trave em um cabeceio, na segunda tentativa não falhou.

Aos 40’, Robinho cobrou escanteio e o zagueiro, sozinho, mandou para as redes e, praticamente, definiu o jogo. Ainda tinha todo o segundo tempo, mas o São Paulo não parecia ter forças para reverter a situação.

No intervalo, Juan Carlos Osório ainda foi expulso, por reclamação ao árbitro. O São Paulo voltou como no início do jogo Muita bola no pé e pouca ação no ataque.

O Palmeiras recuou, esperou o adversário se cansar e matou o jogo. Aos 13’, Egídio partiu livre pela esquerda, cruzou rasteiro e Rafael Marques bateu cruzado para marcar o terceiro.

Aos 26’, Egídio, de novo, cruzou, e desta vez, Cristaldo fez. Ainda deu tempo da torcida, de forma irônica, pedir a entrada de Wesley, que estava no banco de reservas. A festa estava completa no lado verde.

Egídio deu três assistências nos gols do Palmeiras e foi o melhor em campo no Choque-Rei. O lateral-esquerdo fez sua melhor partida com a camisa alviverde.

Na próxima rodada, o Palmeiras recebe a Chapecoense na quarta-feira, às 21h, em sua arena. O São Paulo vai a Curitiba enfrentar o Atlético-PR também na quarta, às 22h, em busca de reabilitação. (Da Agência Estado)

PALMEIRAS

F. Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Egídio; Gabriel, Arouca, Robinho (C. Xavier), Rafael Marques e Dudu (G. Jesus); Leandro Pereira (Cristaldo). Técnico: Marcelo Oliveira.

3 x 0

Da vitória do Palmeiras sobre o São Paulo, no Allianz Parque,

no último Campeonato Paulista

Marcelo Oliveira prevê uma arrancada no campeonato

Mais do que três pontos na tabela e o massacre sobre o rival, com o placar de 4 a 0, o Palmeiras deixou o Allianz Parque esperando por novos tempos. O técnico Marcelo Oliveira deixou claro que espera ver a atuação fantástica de ontem se repetindo e que as próximas três rodadas do Brasileirão permitem projetar bons resultados.

“Acho que nos próximos três jogos podemos arrancar. São duas partidas em casa e uma em campo neutro, onde devemos ter a maioria da torcida. Uma vitória como essa, diante de um adversário do porte do São Paulo, é algo que pode representar uma nova fase”, disse o treinador. O Verdão encara a Chapecoense em casa, depois pega a Ponte Preta em Cuiabá e o Avaí novamente na sua arena.

A oscilação é o que parece mais preocupar o treinador. O mesmo Palmeiras que tem feito bonito nos clássicos é o que se atrapalha em jogos mais simples. “Fortalece muito essa vitória. Precisamos arrancar uma nova etapa no Brasileiro, mas temos que ter cuidado para não achar que temos um adversário menos complicado. Não existe isso”, disse o comandante.

Em relação ao jogo, o treinador destacou que o fato do time ter sabido marcar o rival fez a diferença. “O São Paulo tem um nível técnico alto. Se a gente deixasse eles jogarem teríamos problemas, como tivemos no primeiro tempo. Acredito que a semana de trabalho foi bem produtiva”, analisou. (AE)

A FRASE

“Importante vencer bem e marcar gols e, principalmente, não levar gols.”

Osorio se irrita com ‘figura’ intocável do árbitro no jogo

Irritado, o técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio, concedeu uma entrevista toda em espanhol na qual não economizou nas críticas. Não aos seus jogadores, mesmo com a impactante derrota de 4 a 0 para o Palmeiras, ontem, no Allianz Parque, mas com a impossibilidade de "se conversar de forma educada" com o árbitro da partida, o gaúcho Anderson Daronco.

"Não pude me conter de fazer um reclamação formal, educada ao árbitro. Trabalhei na América e na Inglaterra, dois países lideres do mundo, onde se respeita o ser humano. Lá se permite falar com o árbitro. Não sabia que no Brasil as figuras eram intocáveis. Penso que os protagonistas são os jogadores, não os árbitros. Em nenhum momento fui mal educado com ele", disse o uruguaio. Sobre o péssimo resultado, o treinador assumiu a responsabilidade perante seus jogadores e a torcida. "Assumo a derrota e quero pedir desculpas a nossa torcida."

Osorio explicou a estratégia adotada diante do Palmeiras. "Planejamos a partida pensando que o Lucas (lateral do Palmeiras) atacasse bastante. Não houve cruzamentos por ali porque fixamos o Pato e jogando assim acertamos a trave. Até aí a partida estava controlada."

O treinador admitiu temer os efeitos da acachapante derrota sobre o elenco. "É impossível dizer que não afeta. Nossa responsabilidade agora é amanhã madrugar, trabalhar, assumir o ânimo, o espírito da equipe e tratar de melhorar. Não há outra maneira." (AE)

A FRASE

“Em qualquer lugar do mundo se pode conversar com outro ser humano, achei que aqui seria igual.”