Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h30

Logo após a derrota do Brasil para o Paraguai nos pênaltis, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, ligou para o técnico Dunga e para o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi. Não foi uma chamada para cobrança ou reclamação diante da eliminação precoce na Copa América. Era o contrário. O presidente queria transmitir confiança para a continuidade do trabalho. Dunga agradeceu e respondeu que era bom trabalhar com essa estabilidade.

Ontem, Dunga também contou que 15 dos jogadores da Seleção sofreram um quadro de virose às vésperas da partida, mas, como o próprio técnico admitiu, isso não pode servir de desculpa para o desempenho pífio de sábado.

O treinador ficou aliviado ao perceber que a entidade continua apostando em um trabalho de longo prazo. O Brasil caiu no primeiro jogo eliminatório após a Copa e repetiu a história da Copa América 2011: perdeu para o Paraguai, na decisão por pênaltis. No sábado, Douglas Costa e Éverton Ribeiro chutaram para fora. Em 2011, haviam sido quatro erros.

"O Dunga corre risco zero", afirmou Walter Feldman, secretário-geral da CBF. "A determinação do presidente é de poder absoluto para a comissão técnica". Os números de Dunga são bons. Em 14 jogos, ele conquistou 12 vitórias e teve apenas duas derrotas. O futebol apresentado, no entanto, não convenceu. A equipe não fez nenhuma grande atuação na Copa América e parou no primeiro adversário "cascudo" que encontrou no torneio.

O próximo desafio da Seleção Brasileira será nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a partir de outubro. De acordo com a Conmebol, a tabela será conhecida no dia 25 de julho, em sorteio na cidade russa de São Petersburgo. Dunga já sabe que a pressão vai aumentar. Antes das Eliminatórias, o Brasil terá dois amistosos em setembro, contra Argentina e Estados Unidos. "A pressão no Brasil sempre tem. Quando ganha, tem pressão. Quando perde, muito mais", disse o treinador.

Segundo Dunga, a participação da Copa América deixou o saldo positivo da experiência para os jogadores jovens. "Perdemos cinco jogadores importantes, que poderiam ter sido titulares, mas preparamos novos jogadores". Dunga deixou claro que o problema da Seleção não é pontual, mas estrutural. "Todos temos que pensar no futebol brasileiro, não só no campo. A gente não pode deixar de notar que outras seleções melhoraram. Temos a humildade de arregaçar as mangas e trabalhar", disse. O fracasso foi tratado de forma contundente pela imprensa. Um programa da televisão chilena perguntava se o Brasil ainda é uma potência mundial. O diário espanhol El País afirmou que o Brasil não sabe mais como se chama. (Da Agência Estado)

Meta é livrar Neymar da punição nas Eliminatórias

Concretizada a eliminação do Brasil da Copa América, a CBF tentará agora garantir a participação de Neymar desde a primeira rodada das Eliminatórias Sul-Americanas. Para isso, apelará à Fifa contra a determinação pela qual o craque terá de cumprir suspensão nas duas primeiras partidas do classificatório à Copa de 2018.

Neymar foi suspenso por quatro jogos pela Conmebol por sua expulsão contra a Colômbia. A CBF desistiu de tentar a redução da pena no âmbito da entidade sul-americana, que inicialmente informou que, ao fim da atual Copa América, caso restasse partidas a cumprir, isso seria feito na Copa América de 2016.

Depois, a Fifa informou que a suspensão também valia para as Eliminatórias. E como a Seleção caiu nas quartas de final no Chile, Neymar ficaria fora dos dois primeiros jogos. É contra isso que a CBF se insurge agora. "Qual é a relação entre a Conmebol e as Eliminatórias?", questionou Walter Feldman, secretário-geral da CBF. "Temos um estudo mostrando que o que aconteceu com Neymar foi exceção. A punição tem de ser cumprida em um torneio semelhante à Copa América." (AE)

A FRASE

“Tenho que trabalhar muito para dar resposta aos torcedores que estão tristes, assim como nós.”