Publicado 05 de Junho de 2015 - 5h30

Joseph Blatter, presidente da Fifa, pagou 5 milhões de euros para a Irlanda com o intuito de dar um ponto final à crise aberta pela desclassificação da seleção para a Copa de 2010. Os irlandeses ficaram de fora do Mundial depois de um gol irregular da França nas Eliminatórias, em 2009.

Naquele momento, a mão usada por Thierry Henry se transformou em um escândalo. Mas o que ninguém sabia é que, para acabar com a crise, Blatter enviou um cheque de 5 milhões de euros para a Federação Irlandesa para que um processo na Justiça não fosse apresentado. O gol tirou a Irlanda do Mundial.

Em entrevista ao canal de televisão RTE, de Dublin, o presidente da Federação Irlandesa, John Delaney, admitiu que "fechou um acordo" com Blatter. O cartola se recusou a dar detalhes dos valores. Mas insistiu que foi algo "muito legítimo".

"Achávamos que tínhamos um caso contra a Fifa depois da mão de Henry nas Eliminatórias", disse o dirigente, que lembrou que Blatter "riu" dos irlandeses nas arquibancadas do estádio. "Naquele dia, eu fui até ele e disse como me sentia", contou. "Chegamos a um acordo. Aquilo aconteceu na quinta-feira e, na segunda-feira, um acordo foi assinado", disse. Os franceses eram os vice-campeões do mundo naquele momento e estavam ameaçados de ficar de fora do Mundial.

Ontem, Blatter comunicou que se reuniu com Domenico Scala, auditor chefe da entidade e responsável pela coordenação da nova eleição. Na pauta, estava o início de mudanças estruturais e administrativas "significativas" na entidade. "Estou ciente de que apenas o congresso da Fifa pode passar estas reformas", disse. A Fifa deve discutir as propostas em seu próximo congresso. Mas nem Blatter nem Scala especificaram o que foi conversado ontem. (AE)