Publicado 04 de Junho de 2015 - 5h30

Rogério Ceni viveu um clássico de altos e baixos ontem à noite, no Morumbi. Contra o Santos, rebateu pênalti que acabou resultando em gol, falhou em um lance e para o bem dele e do São Paulo, marcou o gol decisivo, o da vitória por 3 a 2, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Agora o goleiro chegou a 128 gols e ao lado de Raí é o 10 maior artilheiro da história do clube.

O novo técnico do São Paulo, o colombiano Juan Carlos Osorio, viu de perto um resultado que deixa o time na parte da cima da tabela de classificação, com 10 pontos, e segura o Santos na zona intermediária, com 5. O 3 a 2 recompensou o time que mais buscou a vitória durante o jogo, mesmo sem ser brilhante.

O 100 San-São disputado no Morumbi teve o típico roteiro de clássico em que no intervalo se muda a história do jogo. O primeiro tempo lento e monótono deu lugar a uma segunda metade de intensas disputas.

O novo técnico do São Paulo chegou ao estádio no ônibus do time, foi ao campo acompanhar o aquecimento dos jogadores e subiu ao camarote da presidência para ver o jogo. Ao lado dos dirigentes, o colombiano, que aguarda o visto de trabalho para estrear, viu em campo o resumo dos defeitos da equipe na temporada.

Lento na transição para o ataque, com pouca profundidade e de muitos toques laterais, o São Paulo do primeiro tempo dominava o jogo, mas sofria para criar.

Já o Santos sentia a falta de Robinho, que está na Seleção Brasileira. Com Lucas Lima apagado, Geuvânio bem marcado e os laterais sem avançar, o time não tinha opções ofensivas.

O sonolento primeiro tempo teve breves momentos interessantes graças a gols de bola parada. O São Paulo saiu na frente aos 33’. Michel Bastos cobrou falta com força. O tiro cruzado pegou Vladimir de surpresa. Na única chegada ao ataque, o Santos ganhou um presente. Denilson colocou a mão na bola e Ricardo Oliveira precisou do rebote do pênalti após a defesa de Ceni para igualar.

Somente nos cinco primeiros minutos o segundo tempo teve acontecimentos mais interessantes do que toda a etapa inicial. O goleiro santista Vanderlei entrou no time e voltou a jogar depois de dois meses, Ricardo Oliveira virou a partida em uma falha grotesca de Rogério Ceni e Paulo Miranda igualou logo depois, de cabeça.

Os gols deixaram o jogo em aberto e fizeram a torcida finalmente se manifestar, pedindo a entrada de Luiz Fabiano, que entrou no lugar de Alexandre Pato, vaiado.

O jogo continuou indefinido até os 39’, quando Carlinhos recebeu falta na área. O árbitro marcou pênalti e Rogério Ceni converteu. (Da Agência Estado)

Ídolo quer o aval do técnico

Rogério Ceni voltou a falar sobre renovação de contrato depois do jogo. O ídolo tem a intenção de jogar até dezembro, mas rejeita o posto de 'mártir'.

"Não sei se vou ficar até dezembro. Até julho com certeza, mas até o final do ano vamos conversar. É importante o aval do treinador. Eu quero ficar pelas minhas qualidades, não por ser mártir. Eu jogo por meu trabalho. Estou tentando ajudar o São Paulo, a entidade, trazer cada vez mais gente, arrecadar. Mas o principal é que o treinador queira que eu fique", disse.

Já Paulo Henrique Ganso não descarta sair do Morumbi. O meia foi assunto em uma reunião envolvendo a direção do São Paulo e do Flamengo, ontem. O Tricolor pediu R$ 20 milhões por 32% dos direitos do jogador. “Se tiver proposta, é o São Paulo que tem que falar se pretende me negociar. Depois poderemos falar com outro clube. Mas, é o São Paulo quem decide", disse Ganso.

SÃO PAULO

R. Ceni; Bruno (Hudson), P. Miranda, Dória e Carlinhos; Denilson, Souza, Thiago Mendes (Centurión), P. H. Ganso e M. Bastos; A. Pato (L. Fabiano). Técnico: Milton Cruz (interino).

Lateral assume o erro

Apesar dos protestos dos santistas contra a arbitragem no clássico de ontem, o lateral direito Daniel Guedes assumiu, após a partida no Morumbi, que derrubou o lateral esquerdo Carlinhos, do São Paulo, no final do jogo — Rogério Ceni cobrou o pênalti e garantiu a vitória tricolor. "Não vi que estava na área, ele (Carlinhos) adiantou, fui para cortar... Não fujo, não, teve um toque, não fujo da responsabilidade, foi infelicidade mesmo", afirmou o lateral santista. O Santos sofreu ontem uma derrota também na justiça. O juiz Pérsio Luís Teixeira de Carvalho, da 4 Vara do Trabalho de Santos, concedeu a rescisão imediata do vínculo de mais três temporadas e meia de Leandro Damião, emprestado ao Cruzeiro, com o clube. Com a decisão, Santos é obrigado a pagar os três meses de salários atrasados, além do 13 salário e luvas, todos ainda em aberto. A decisão cabe recurso.