Publicado 03 de Junho de 2015 - 5h30

Joseph Blatter resistiu o quanto pôde. A enorme pressão da Uefa (que já articulava um boicote das seleções europeias ao torneio de futebol da Olimpíada do Rio) e o avanço implacável das investigações do FBI levaram o suíço, que se reelegeu na sexta-feira, a anunciar que deixará o cargo de presidente da Fifa. Ele vai convocar nova eleição e passará os próximos meses tentando se defender das acusações que estão por vir.

Na segunda-feira, o The New York Times publicou as primeiras denúncias contra Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa e braço direito de Blatter. Ele percebeu então que não há mais para onde correr. O apoio das confederações anãs diplomáticas (CBF inclusive) não é mais suficiente para mantê-lo na Fifa.

A Justiça e a polícia devem descobrir e revelar novas irregularidades nas próximas semanas. Teixeira, Valcke, Leoz, Blatter e outros tantos serão acusados por crimes que cometem há tempos.

A impunidade acabou quando o FBI entrou na história. Sonegar impostos e cobrar propina são atividades corriqueiras em alguns lugares do planeta, mas nos Estados Unidos, vejam só, quem rouba e sonega é considerado criminoso.

Até outro dia, José Maria Marin era alvo de homenagens do Ministério Público de São Paulo. Assim que foi preso na Suíça, seu nome foi arrancado às pressas do prédio da CBF. Os que estão em liberdade farão de tudo para escapar da prisão. Mas, ao que tudo indica, é tarde demais para sair do jogo.

Por aqui, resta saber se Marco Polo Del Nero vai seguir o bom exemplo de Joseph Blatter — os maus, ao que tudo indica, ele segue já há alguns anos.

Não é só o nome de Marin que precisa ser retirado da CBF. Os documentos divulgados pelo FBI revelam que mais dois dirigentes de alto escalão da CBF também receberam propina. Tudo indica que um deles é Ricardo Teixeira. Na segunda-feira, ele foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes.

Também há fortes indícios de que o outro parceiro de Marin na divisão do dinheiro alheio era Del Nero, atual presidente da CBF.

Ontem a entidade se manifestou sobre a renúncia de Blatter com um comunicado lacônico: “A CBF recebeu o anúncio da renúncia do presidente Joseph Blatter com surpresa. É uma decisão de caráter pessoal e que merece a nossa profunda compreensão”.

Será que é só isso que Del Nero tem a dizer? Será que não percebe que, assim como Blatter, não tem outra saída? Quantos dias o presidente da CBF levará para descobrir que, na prática, seu cargo está vago?