Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h00

Por Milene Moreto

Milene Moreto

Cedoc/RAC

Milene Moreto

Depois da polêmica votação sobre a proibição do debate de gênero, a Câmara de Campinas resolveu organizar uma festa julina com comida, bebidas e brincadeiras para relaxar e descontrair. A festança está marcada para acontecer no estacionamento da Casa, na próxima sexta-feira, em horário de expediente, a partir de 16h. Vale lembrar que os parlamentares entraram em recesso, mas as atividades continuam. Segundo informações do Legislativo, o horário de atendimento ao público é das 9h às 18h, inclusive no recesso.

Com o oferecimento...

Outra peculiaridade do evento é a organização. O convite — uma bandeirinha típica — diz que o Sindicato dos Funcionários do Poder Legislativo e o Programa Economia Solidária da Prefeitura de Campinas convidam todos os servidores da Câmara para uma “festa integração”. As sessões deste semestre acabaram na última segunda-feira e só serão retomadas em agosto. Alguns parlamentares já adiantaram que pretendem trabalhar nesse período.

Frase

Se, no futuro, optarem por serem homossexuais ou lésbicas é outra realidade. Tenho amigos e amigas que fizeram essa opção e não os julgo ou critico. (Do vereador de Campinas Tico Costa (SD), sobre ter votado favorável à emenda que proíbe o debate de gênero nas escolas).

Não consta?

Entre as atrações da festa julina estão barracas de comida e artesanato, shows musicais — que alguns arriscam a dizer que serão comandados pelo vereador-cantor Luis Yabiku (PDT) — e correio elegante para quem quiser flertar. Só faltou a tradicional cadeia. Nos bastidores, corre a brincadeira que se a atração fosse criada, daria espaço ao arraiá do habeas corpus. Segundo informações da Câmara, a festa foi organizada pelo sindicato e não pelos vereadores.

Vamos ao que interessa

Depois do debate distorcido sobre gêneros em Campinas e enquanto aguardamos a segunda discussão (mérito) da proposta depois do recesso, muita coisa está para ser decidida. Só que em Brasília.

Votações

E o clima anda agitado por lá por causa das votações do projeto de redução da maioridade penal, pré-sal e indexador da dívida dos estados e municípios. O dia foi de tensão e debates.

Não sei ao certo

Até a tarde de ontem, o deputado federal Luiz Lauro Filho (PSB) não tinha decidido se votaria favorável à proposta da maioridade penal. Foi tomado por incertezas. De um lado, entendia o posicionamento de famílias que foram destruídas em razão da violência praticada por menores. Do outro, as definições do próprio PSB que até bem pouco tempo tinha posicionamento contrário ao projeto.

Campos

Eduardo Campos, o cacique da legenda, morto em um acidente aéreo no ano passado, era radicalmente contra a proposta e chegou a declarar que não seria a redução da maioridade penal que resolveria o problema da violência no Brasil. Lauro Filho viveu um dilema: votar para defender uma parcela específica da sociedade ou acompanhar o que pensava o líder do PSB?

Não resolve

Pesquisas divulgadas nos últimos meses revelaram que a redução da maioridade penal não impacta na redução da violência. Pelo contrário, em alguns casos, a incidência de menores no crime é ainda maior.

Sem muita discussão

Muitos vereadores de Campinas não queriam votar o projeto que veta o debate de gênero nas escolas e deixaram isso claro em conversas reservadas. Eles simplesmente não concordavam. Só que votar contra seria, na avaliação interna, muito mais prejudicial. Isso porque perderiam votos nas igrejas e a eleição é no ano que vem. Para não entrar em polêmica, alguns faltaram à sessão. A maioria resolveu ir na onda de Campos Filho (DEM). Teve quem não dormiria com a consciência tranquila na última segunda-feira.

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