Publicado 29 de Junho de 2015 - 5h00

Por Tadeu Fernandes

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“Meu filho não come nada, nada, nada...” Engraçadas essas mães. Nunca falam somente um nada; sempre são três ou mais, para afirmar, confirmar, reafirmar que o Pedrinho não está satisfazendo às expectativas da mamãe em comer o que ela quer, não importando o que ele goste ou que foi educado a comer.

Você sabia que o senso de gosto, o sabor, começa a se desenvolver na vida intrauterina? Os sentidos da gustação e da olfação já estão bem desenvolvidos no terceiro trimestre da gravidez, por volta da 35ª semana (uma gestação tem 40 semanas) e o feto pode perceber sabores básicos, como o doce. Isso explica porque, horas após o nascimento, os bebês já mostram forte preferência pelo doce em contraste com o amargo.

Recente estudo realizado nos Estados Unidos exemplifica bem a teoria do sabor. Durante a gestação, um grupo de mulheres fez uso diário de suco de cenoura no café da manhã e o grupo controle, não. Quando foi introduzida a primeira refeição na rotina das crianças, ficou claro que no grupo em que as mães haviam tomado suco de cenoura na gestação a aceitação da papinha que continha cenoura foi muito maior do que no outro.

Já está cientificamente documentado que as preferências por alimentos como alho, cenoura, hortelã, baunilha, queijo e certos sabores de frutas são adquiridos no líquido amniótico, intra-útero, e reforçadas por meio da amamentação. As crianças tendem a seguir os padrões alimentares dos pais – em famílias em que se come muita gordura, açúcar e sal e poucas frutas e legumes, por exemplo, as crianças seguem esse padrão.

Outro estudo deve ser considerado como alerta. Ele demonstrou que os sabores de álcool e fumo são transmitidos ao fluido amniótico e ao leite materno da mesma forma como os dos alimentos. Assim, se uma mãe ingerir bebida alcoólica nos estágios mais avançados da gravidez, o feto experimentará esse sabor.

Se raciocinarmos que as primeiras exposições a esses sabores aumenta a familiaridade e que a familiaridade aumenta o gosto das crianças para esses sabores, podemos prever que elas terão uma tendência maior para consumo de bebidas alcoólicas, com risco de se tornarem alcoólatras.

Uma pesquisa publicada na semana passada documentou que crianças cujas mães beberam na gravidez e na lactação, quando apresentadas a dois brinquedos iguais, um com cheiro de álcool e outro de baunilha, preferiam o brinquedo com odor alcoólico. A preferência se repetiu com a exposição precoce ao fumo em casa.

Pais que não fumam no lar, mas fora dele sim, quando tiveram seus filhos colocados em um ambiente com duas fraldas de pano, uma com odor de tabaco e outra neutra, mostraram preferência por aquela com odor.

Esses estudos mostram que as crianças são espelhos dos pais, seguem padrões, estilos de vida, hábitos e vícios. Dia a dia está se documentando cientificamente o que o bom-senso já dizia: os pais são exemplos de vida para as crianças. A família é o eixo mestre que direciona o futuro de uma criança. E lembre-se que tudo começa muito antes do nascimento, na vida intrauterina.

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Tadeu Fernandes