Publicado 11 de Julho de 2015 - 5h00

Por Zeza Amaral

Milene Moreto

Cedoc/RAC

Milene Moreto

Já não sei mais como descrever a cara dos corruptos do Brasil.

Jornal não é espelho. Telejornal não é espelho. Rádio não é espelho. Qualquer coisa que se comunique não é espelho. O único espelho em que confio é aquele que está preso na parede do banheiro lá de casa, em cima da pia.

E nele me vejo todos os dias e acho que todos os homens do meu país também se olham em seus espelhos políticos; sejam eleitores ou eleitos; mais ainda os escolhidos preferenciais do governo de plantão para julgarem segundo as leis constitucionais federais, estaduais e municipais, os tais ministros do STF, STJ e Tribunais Regionais, ou de quantas se somarem as letras da sopinha dessa insossa água rala que a burocracia nos serve — democraticamente, segundo ela: INSS, BNDES, BB, BC, AGU, TCU — e tudo isso para que nada mude e continue sempre mudando para nada mudar.

E seguem os Três Poderes sendo um único ente: a usar o Estado de Direito para manter seus privilégios anacrônicos, fora da realidade e dos avanços democráticos do mundo moderno, e que exige cada vez mais transparência no trato do dinheiro público e dos jogos que envolvem a arte da política.

A lesma segue lerda e nada muda o seu andar. E sempre assim isso tem sido e, provavelmente, a lerda lesma seguirá os mesmos caminhos de seus desígnios nematoides e cestoides, além das outras lesmas comuns que promovem atrocidades constitucionais em desvios de cofres públicos que bem provêm os maus lucros de péssimos empresários, que engordam propinas sem ideologia e, tampouco, de ideologia alguma.

E são tão poucos (ora veja!) os que roubam bilhões de reais de impostos de quase uma centena de milhões de brasileiros, dessa gente que trabalha pouco mais de cinco meses por ano apenas para pagar impostos que, ao fim, são surripiados pelos seus empregadores — não digo que todos, pois a vergonha doméstica ainda é a serventia da casa, ao respeito da esposa, filhos e parentes, daquela gente que frequenta suas emoções domésticas e que bem sabe aquilo que come e bebe é fruto de trabalho honesto, pois, embora farto, não se trata apenas de proteína e cerveja, mas de boa e sincera oferenda de vida honesta e sacrifício natural, tudo em nome ao bíblico suor do rosto que faz o pão de cada dia.

Quem dentre todos os que se alimentaram na farta mesa do Mensalão e Petrolão não voltará ao refluxo de suas amizades mafiosas; a deitar ao chão da Lei alimentos surrupiados das merendas escolares? Não forço aqui o argumento, pois, é fato, nunca se soube tanto o quanto foi roubado do trabalhador brasileiro como nesses últimos doze anos de governo petista — que, quando fala, amassamos panelas. Outro prejuízo.

Trabalhador quando contribui para o Estado é um anônimo qualquer, não faz mais que a sua obrigação cívica. Já os corruptos empresários se acham santificados empreendedores que vão gerar empregos e, assim, pegar mais impostos de nossos trabalhadores para construir obras que jamais serão entregues no prazo contratual.

Eis aí as renomadas construtoras do país envoltas em falcatruas e, algumas, com seus principais executivos na cadeia, prometendo devolver várias centenas de milhões de reais surrupiados do bolso do País. Parecem santos, esses homens de cabelos tão brancos como os meus, penso eu. Eu tenho conta-salário no Bradesco e eles, os safados, na Suíça, Mônaco e sei lá mais em que paraíso fiscal.

Os canalhas também envelhecem, como bem nos ensinou Raquel de Queiroz — e envelheci, é claro, com algumas canalhices arruaceiras, algumas contas de bar não pagas por esquecimento etílico e paixões traídas pelo mesmo motivo; mas, devo dizer, jamais roubei um centavo que fosse de qualquer brasileiro.

Sei bem a quem Raquel de Queiroz se referia e, sem dúvida, esses nematoides e cestoides corruptos seguirão sugando as nossas estatais caso continuem contando com a sombra necessária da impunidade para seguir o seu caminho de riqueza fácil.

Fomos chantageados!, dizem todos eles, como se no País não houvesse um delegado de polícia a quem pudessem recorrer para lavrar um boletim de ocorrência e denúncia formal.

Nobres e santos empresários, que há anos vêm sendo violentados pelo mesmo “estuprador” (e que o raro leitor me entenda por estas aspas politicamente corretas).

Haja luxúria e paixão, diria o rufião do bordel nacional.

E quando virão as reformas políticas e judiciárias que tanto necessitamos, hein?

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral