Publicado 02 de Junho de 2015 - 19h02

Por Raquel Valli

Canil existe há cerca de 20 anos, está superlotado, e, sem recursos suficientes, não pode ajudar novos casos de abandono e/ ou maus-tratos

AAANO

Canil existe há cerca de 20 anos, está superlotado, e, sem recursos suficientes, não pode ajudar novos casos de abandono e/ ou maus-tratos

A Associação Amigos dos Animais de Nova Odessa (AAANO) teve que suspender novos resgates devido à dificuldades financeiras. O canil existe há cerca de 20 anos, conta hoje com quase 450 animais, e, sem verba suficiente, não pode ajudar outros casos de abandono e/ ou maus-tratos. 

"Estamos superlotados, e os animais abandonados não param de aparecer. Mesmo com inúmeras denúncias diárias, não temos o que fazer, pois não temos lugar para abrigar mais animais, e nem temos voluntários disponíveis e com carro para fazer os resgates", informa o presidente Carlos Pinotti. 

"Nossa estrutura está cada vez mais precária... há portões enferrujados, grades quebradas, cercados com buracos, dívidas em veterinários...", completa, listando alguma das muitas dificuldades.

Como não há Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) em Nova Odessa, a associação presta o serviço de utilidade pública e recebe verba mensal da Prefeitura para poder dar conta do trabalho.

Entretanto, como a demanda é muito grande, sempre falta recursos. "Por isso, contamos com doações e fazemos eventos", afirma Pinotti.  

 Periodicamente, a entidade precisa de todos os tipo de doação, como ração, carne em lata para cães e gatos (para o tratamento dos doentes), vacinas, vermífugos, medicamentos. Além disso, precisa de voluntários para o cuidado e limpeza dos animais e do próprio canil. Quem quiser e puder ajudar, deve contatá-la pelo Facebook.

No último sábado (30), Pinotti resgatou um cachorro no meio da rua, quase sendo atropelado pelos carros. "Tive que jogar meu carro na calçada, sair correndo e quase ser atropelado para poder resgatá-lo. Alguns motoristas estavam passando muito rápido por ele, quase sem desviar".

 Em um outro caso, uma cachorra deu cria numa tubulação embaixo da terra, em frente à empresa Canal. "Tive que me espremer, entrar lá, torcer pra cachorra não ser brava, retirar filhote por filhote com uma só mão (pois não cabiam as duas) e depois puxar a cachorra que era porte grande", conta Pinotti.

"Eu me emociono de lembrar, pois tenho asma, e o buraco estava com muita terra e poeira... eu passei muito mal, mas ainda sim não desisti, pois tinha começado a chover na hora, e se não fossem retirados de lá naquele momento, iriam morrer, pois iria encher de água", relata. 

 O resgate contou com a ajuda de voluntários, que empurravam e puxavam Pinotti, porque ele não conseguia nem se mexer.

"Conseguimos resgatar todos, e posteriormente, conseguimos um lar temporário, até todos os filhotes serem adotados. Foi uma história com final feliz!". 

Quem normalmente cuida dos animais do canil é a Jô (Joceli). Ela fica lá todos os dias, das 7h às 20h, de domingo a domingo. "E, mesmo sendo uma senhora, não tira férias. Infelizmente, se ela não for, é muito difícil achar alguém pra ir no lugar de forma voluntária", conta, recrutando ajudantes.  

  

 

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Raquel Valli