Publicado 01 de Junho de 2015 - 18h57

Por Raquel Valli

Vereador foi chamado porque o denunciante achou que o sítio ficasse em Valinhos. Mas, de acordo com a documentação, propriedade fica em Campinas

César Rocha

Vereador foi chamado porque o denunciante achou que o sítio ficasse em Valinhos. Mas, de acordo com a documentação, propriedade fica em Campinas

Um sítio em Campinas, na divisa com Valinhos, tem servido de descarte e depósito de animais. Nem os moradores sabem o número exato de abandonados no local. “Também não deu pra contar porque eles começam a surgir do meio dos pés de figos e de goiabas”, informa o vereador César Rocha, de Valinhos, quem recebeu a denúncia e esteve na área. Entretanto, “acredito que em torno de 20”, afirma o protetor. “Todos eles estão famintos, desnutridos, infestados de carrapatos, sem castração e cheios de vermes”, completa.

O Sítio Santo Antônio fica no bairro Reforma Agrária, com acesso pela estrada velha de Indaiatuba. Seus moradores são agricultores meeiros, e a família passa por sérias dificuldades financeiras.

 Na tentativa de evitar que se proliferem ainda mais, a família aplica injeção de contraceptivo. Mas, apesar da boa vontade, isso “é outro problema para saúde dos animais, porque eles estão muito fraquinhos. Só comem polenta, macarrão e arroz. Falta proteína”, explica Rocha.

O vereador foi chamado porque o denunciante achou que o sítio ficasse em Valinhos. Mas, de acordo com a documentação, fica em Campinas. “Vou fazer o meu melhor, mas sei que não vou conseguir sozinho. Vou ter que acionar o Departamento De Proteção e Bem Estar Animal de Campinas”, diz Rocha, referindo-se ao tamanho do caso.

O vereador abriu um grupo de ajuda no Facebook e conta com o apoio dos grupos Amor de Bicho e OperaCÃO Resgate, do protetor Bill Rodrigues, do vereador Luis Henrique Cirilo, todos de Campinas.

Ambos os grupos, especificamente, ajudarão a divulgar o caso nas redes sociais. “Estamos lotados. Temos 57 cães sob nossa tutela hoje. Não temos abrigo e temos que pagar clínica e hotelzinho. Tudo com doações”, revela a fundadora do OperaCÃO Resgate, Marjorie Rodrigues.

O mesmo ocorre com o Amor de Bicho. “A nossa chácara está lotada. Estamos com cerca de 60 cães, e tivemos que suspender, temporariamente, os resgates. Só podemos resgatar com alguém que se disponha a ceder um lar temporário ou adoção permanente”, completa Ana Carolina Pimenta, do Amor de Bicho.

Ajuda

 No caso específico do Sítio Santo Antônio, “falta de tudo, e precisamos da ajuda de todos”, informa Rocha.

Quem quiser e puder ajudar, deve entrar em contato com o vereador pelo telefone (19) 9-8900-7012 ou pelo Facebook.

São necessários: adoção permanente, casinhas

castração, cobertores

lar temporário, ração, remédios

vacinas e vermífugos.

Descarte em Campinas 

“Muitos animais têm sido abandonados por seus donos todos os dias. Eles sofrem nas ruas sem comida, sem água, sem remédios, sem um lar. São expostos a situações de risco como doenças, maus tratos, abuso, atropelamento. Além de seu próprio sofrimento, como a grande maioria não é castrado, são geradas mais e mais ninhadas que nascerão nas ruas aumentando a população de vidas que fatalmente sofrerão e se ninguém bem intencionado cruzar seus caminhos acabarão morrendo sem recurso algum”, desabafa Thayse Souza, do Amor de Bicho.

Foto: César Rocha

Água para os animais no sítio

Água para os animais no sítio

“São muitos pedidos de socorro todos os dias e não conseguimos dar conta de tantos casos. Hoje, estamos com cerca de 60 cães, todos resgatados de abandono. Recentemente, muitas pessoas têm nos procurado também para doar seus próprios cães. Isso é muito triste. Em boa parte dos casos, o argumento é de que a família está se mudando para apartamento ou que estão esperando um bebê. Porém, na nossa visão, o cão é parte da família, e como tal, deve ser incluído em seus planos de mudanças. Se quando nós enfrentamos uma grande mudança em nossas vidas é difícil, imagine como deve ser difícil para o animal que vivia com uma família entender que aquela família não o quis mais e o deixou para trás? Como entender tudo isso? Seria justo com eles? Muitos animais inclusive entram em depressão com a falta de seus donos”, completa a protetora.

Foto: César Rocha

Gato no sítio

Gato no sítio

“Incentivamos que a pessoa, ao passar por uma situação de dificuldade ou mudança, espere até que as coisas se acertem e melhorem e tentem incluir o cão nesse novo contexto de suas vidas, sem desistir dele. Muitas vezes a solução mais simples pode parecer deixá-los, o que não significa que seja a melhor solução. Estamos falando de vidas e vidas não são descartáveis. Deixar para trás aquele que te espera com carinho, aquele para o qual você é a referência não parece justo. Portanto, no desespero, é importante ter paciência e buscar soluções que sejam boas para a família e para o animal”, finaliza Thayse.

Escrito por:

Raquel Valli