Publicado 04 de Junho de 2015 - 5h00

Por Jorge Massarolo

Quando si pianta la bela polenta,

la bela polenta si pianta così,

si pianta così, si pianta così.

Bela polenta così.

Cia cia pum, cia cia pum.

Cia cia pum, cia cia pum.

Nos últimos dias esta cantiga italiana não me sai da cabeça. Também pudera. Estive em Erechim (RS) participando do segundo encontro da famiglia Mazzarolo. Então, imagina a italianada toda reunida, falando Talian (variante da língua vêneta do norte da Itália), cantando, dançando.

Tinha “nono”, “nona” e aquelas vastas mesas cheias de comida. Só faltou o parreiral como cobertura. E estava frio, então tivemos que tomar vinho para esquentar. Muito vinho.

Obviamente, também rezamos, porque a famiglia toda é católica. Veio parente de Roraima, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, mas a maioria está concentrada em Porto Alegre e nas redondezas de Veranópolis, na serra gaúcha, onde os primeiros Mazzarolo chegaram por volta de 1880.

O encontro também coincidiu com a comemoração, em maio, dos 140 anos da chegada dos primeiros imigrantes italianos no Rio Grande do Sul. Nas conversas, eram lembrados os primeiros parentes que chegaram ao Estado e as agruras de começar uma nova vida apenas com a roupa do corpo.

A maioria veio do Norte da Itália, onde passava fome, e aqui recebeu um pedaço de terra na serra (os alemães, que tinham chegado antes, ficaram com as melhores áreas). Começaram derrubando árvores para depois plantar o que comer. A serra era tão íngreme que, em tom de brincadeira, diziam que plantavam a lavoura com tiro de espingarda e colhiam a laço.

Meu “nono” Pietro Davide (que no Brasil foi registrado como Guerino), nasceu em Asolo, província de Treviso, Itália, em 1883, e veio para o Brasil com quatro anos. Na serra gaúcha conheceu minha “nona”, a Veneranda Zanon, que também tinha vindo da Itália, casaram e por lá ficaram até morrer, na década de 1960.

O curioso é a mania da família de trocar os nomes. Como já citei, na Itália, meu “nono” se chamava Pietro Davide, mas no Brasil foi registrado como Guerino. Meu tio, por exemplo, todos chamavam de Ermínio, mas seu nome era Gotardo. Também tinha a tia Maria, que na verdade era Clementina.

Segundo o parente Laurentino, um estudioso da família, o pai registrava um nome, a mãe não gostava e chamava por outro nome, ou o padre dizia que tinha que ter nome de “Santo”. Meu pai, por exemplo, foi registrado como Massarolo (por erro do cartório, pois o correto é Mazzarolo) e assim surgiu uma nova ramificação na família.

E tudo isso foi conversado com a italianada, quando sobrava espaço, pois contrataram um italiano para animar o encontro e ele não parava de cantar. Bem, de

vez em quando parava, mas era para contar anedotas “pesadas”, daquelas que faziam as “mamas” taparem os ouvidos da criançada.

Foi um em belo encontro, deu para rever antigos parentes e conhecer muitos outros. No entanto, senti falta da bela polenta, coberta com queijo, salame e esquentada na chapa do fogão. Hummm, saborosa lembrança da infância, mas ali no salão não tinha como fazer. Vamos ver se no próximo, em Foz de Iguaçu, a bela polenta entra no cardápio.

Escrito por:

Jorge Massarolo