Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h00

AQUILES RIQUE REIS, MPB4

Divulgação

AQUILES RIQUE REIS, MPB4

Os que conhecem Ivan Lins, sejam seus fãs ou seus colegas de profissão, sabem que ele é criador de melodias e harmonias da mais fina qualidade e tratado como gênio por grandes nomes da música internacional. Sarah Vaughan, Quincy Jones e Ella Fitzgerald, dentre outros, por exemplo, gravaram músicas suas.

Músicos e admiradores, daqui e de lá, entendem ser Ivan alguém que lida com a música com mestria. Uma grande pessoa, um dos mais festejados compositores contemporâneos.

Desde o início de sua carreira, lá por meados dos anos 1960, o carioca Ivan brilhava nos festivais de música. Foi quando Elis Regina gravou “Madalena”, composição sua e de Ronaldo Monteiro de Souza.

A canção logo virou um grande sucesso, que puxou outros: “Somos Todos Iguais Essa Noite”, “Começar de Novo”, “Dinorah, Dinorah”, “Bandeira do Divino”, “Bilhete”, “Desesperar, Jamais”, “Cartomante”, “Aos Nossos Filhos”, “Lembra de mim”, “Depende de nós”, “Novo Tempo” e muitos outros.

Na maioria das vezes Ivan cria acompanhado por parceiros, desde o mais fiel, Vitor Martins, até outros como Ronaldo Monteiro, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Celso Viáfora e Abel Silva.

Em 1991 Ivan fundou com Vitor Martins a gravadora Velas. Sendo um selo totalmente nacional e independente, a Velas marcou época na discografia brasileira ao gravar discos importantes e lançar novos artistas, como os então estreantes Guinga, Chico César e Lenine.

Pois é esse cara que agora em 2015 está comemorando 50 anos de carreira, 40 anos de parceria com Vitor Martins e 70 anos de vida. E que vida! Que carreira! Que parceria! Benza Deus!

E para animar ainda mais a festa, a gravadora Kuarup remasterizou e relançou dois dos seus mais celebrados trabalhos. Assim, temos Modo Livre (1974), o quarto disco de sua carreira, que tem arranjos de Arthur Verocai e começa com “Abre Alas”, sua primeira parceria com Vitor Martins, e Chama Acesa (1975), seu quinto álbum, com arranjos do próprio Ivan e da Modo Livre, sua banda na época.

Destaque grande para a competência dos músicos que tocam em Modo Livre, como Wagner Tiso, Robertinho Silva, Laércio de Freitas e Sidney Mattos, e os que arrasam em Chama Acesa – Gilson Peranzzetta, João Cortês, Ricardo Ribeiro e Fred Barbosa.

O repertório dos dois álbuns é impactante. Nele, Ivan e seus parceiros criaram desde críticas sutis à ditadura até apaixonadas canções de amor. Produzidos por Raimundo Bittencourt, os discos são uma visão do passado, uma atualização histórica.

Ao ouvi-los, tem-se a impressão de que um véu está sendo puxado, desnudando a alma dos autores – o que traz saudade de tempos difíceis, quando algumas letras denunciavam desmandos de um tempo que não há de voltar.

Ao todo são 24 músicas nos dois CDs, que somam exatos 72 minutos e 33 segundos do mais puro deleite. Juro que, se eu tivesse como, daria aos amantes da MPB o direito de mil vezes escutar e se apaixonar novamente pelas antigas e ótimas músicas de Ivan Lins.