Publicado 03 de Junho de 2015 - 9h11

Por Agência Estado

Passageiros se aglomeram nas portas das estações de trens na Grande São Paulo, que amanheceram fechadas nesta quarta-feira

Captura de vídeo

Passageiros se aglomeram nas portas das estações de trens na Grande São Paulo, que amanheceram fechadas nesta quarta-feira

A Polícia Militar usou bombas de gás para tentar conter passageiros que depredaram a Estação Francisco Morato da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O grupo ficou revoltado com a greve dos ferroviários que paralisa nesta quarta-feira (3) a operação nessa estação, que é atendida pela Linha 7- Rubi. A circulação nesta linha ocorre apenas entre as estações Barra Funda e Caieiras.

A depredação é visível até mesmo do lado de fora da estação, pois um muro de concreto foi quebrado. Moradores da cidade de Francisco Morato que precisam se deslocar para a capital nesta manhã se concentram em frente à estação. Homens da Tropa de Choque fazem um cordão para isolar a entrada.

Passageiros

Os pontos de ônibus pela cidade, opção que restou aos passageiros que utilizam o transporte público para chegar em São Paulo, também estão lotados. “Tentei pegar ônibus para a Barra Funda, mas o ônibus já chega lotado e eles nem param no ponto”, reclama Juliana Lima, de 22 anos, que trabalha com telemarketing. Ela precisa chegar no Largo São Bento, região central de São Paulo.

“Eu tentei passar pelo escadão para sair na estação, mas enquanto tentava descer, todos tentavam subir. Os seguranças estavam dando choque em todo mundo, e todo mundo estava quebrando tudo. Quando eu consegui sair, eles jogaram bombas de gás”, conta Juliana.

A greve

Funcionários da CPTM entraram em greve na manhã desta quarta-feira (3), mas algumas das linhas funcionam normalmente. Uma nova assembleia dos ferroviários deve ocorrer às 14h, quando os sindicatos vão avaliar uma eventual nova proposta da empresa e decidir se continuam ou não com a paralisação.

Uma liminar dada pela Justiça proíbe a liberação de catracas e determina contingente mínimo de 90% do efetivo de maquinistas e 70% de demais atividades nos horários de pico - além de efetivo de 60% nos demais horários.

Por volta das 6h30, as Linha 10-Turquesa e 12-Safira estavam totalmente paralisadas. Na Linha 11-Coral, a Operação Expresso Leste funcionava entre as estações Luz e Guaianases. A Linha 7-Rubi tinha operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Caieiras e as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda estavam com operação normal.

Metrô e trânsito

O Metrô opera com todas as suas estações e houve reforço em algumas linhas de ônibus. Às 7h05, São Paulo registrava 77 quilômetros de lentidão nas vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), número considerado acima da média para o horário.

A São Paulo Transporte (SPTrans) informa que, na Capital, houve reforço nas linhas de ônibus que circulam por ramais atendidos pelos trens da companhia. A CPTM não solicitou o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese). De acordo com a CPTM, uma viagem de trem transporta o equivalente a 50 viagens de ônibus e, por isso, a Operação Paese não seria aplicável.

São Paulo concentra 107 km de congestionamento, índice dentro da média para o horário, que está entre 74 e 108 km, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O rodízio de veículos está mantido na cidade.  Os pontos com os maiores congestionamentos na Capital são: Marginal Pinheiros, 5,6 km sentido Interlagos, pista expressa; Marginal Tietê, 5,6 km sentido Castello Branco, pista expressa; e Marginal Tietê, 5,4 km sentido Ayrton Senna, pista local.

Empresa e sindicado

A CPTM afirma em comunicado que "considera irresponsável a decisão dos sindicatos do Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central de paralisar a prestação dos serviços. A empresa diz ainda que a decisão vai contra a recomendação da justiça de continuar as negociações sem paralisação dos serviços até o próximo dia 11 de junho, quando haverá nova reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O vice-presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Mauricio Alves de Matos, diz que as propostas ainda estão abaixo do esperado e reclamou da distorção na comparação com os benefícios dados aos metroviários. "Lá, os benefícios são sempre maiores. Pedimos uma igualdade e a resposta da CPTM foi reajuste de 8,25% para salário e benefícios, muito aquém do que a categoria esperava." Metroviários aceitaram na segunda a proposta do governo de reajuste de 8,29%.

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Agência Estado