Publicado 29 de Junho de 2015 - 23h46

Por France Press

Fachada do hotel Riu Imperial Marhaba, local onde ocorreu o massacre contra os turistas

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Fachada do hotel Riu Imperial Marhaba, local onde ocorreu o massacre contra os turistas

A Tunísia anunciou, nesta segunda-feira (29), as primeiras detenções relacionadas ao pior atentado de sua história, cometido há três dias em uma praia turística e que deixou 38 mortos.

Os ministros do Interior alemão, francês e britânico, por sua vez, prestaram homenagem nesta segunda em Port El Kantaoui às vítimas, em sua maioria turistas estrangeiros, das quais 30 podem ser britânicas.

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque de sexta-feira (26), quando um estudante tunisiano invadiu a praia do hotel Riu Imperial Marhaba, em Port El Kantaoui, perto de Sousse (140 km ao sul da capital Túnis), com um fuzil kalashnikov escondido em seu guarda-sol e disparou contra os turistas. 

"Começamos por deter um primeiro grupo, cujo tamanho é importante, da rede que estava por trás do terrorista criminoso", afirmou o ministro do Interior, Najem Gharsalli, escoltado por seus colegas francês, alemão e britânica, Bernard Cazeneuve, Thomas de Maizière e Theresa May.

"Prometo às vítimas (...) que estes assassinos criminosos serão levados à justiça para ser castigados de forma justa", afirmou Gharsalli.

Gharsalli agradeceu a presença dos ministros europeus e lembrou que seu governo mobilizou policiais armados nas zonas turísticas do país, além de ter fechado as mesquitas que "difundiam um discurso de ódio".

'Sentimos muito'

Ao seu lado, Theresa May afirmou que "os terroristas não conseguirão. Seguiremos unidos (...) para defender nossos valores".

Ao menos 30 britânicos estão entre a vítimas, segundo Londres.

No local do massacre, as pessoas seguiam depositando flores nesta segunda, e era possível ler mensagens como "Sentimos muito" ou "Somos muçulmanos, não terroristas".

"Estamos aqui desde 17 de junho. É um lugar maravilhoso, as pessoas são geniais. Não queremos ir embora, nos sentimos seguros, sobretudo com a polícia e o exército. Agora há mais policiais", disse à AFP John Edwards, um turista britânico. "Sentimos pelos funcionários (do hotel), ficamos sobretudo por eles", declarou.

Nesta segunda, um vídeo amador que circulava nas redes sociais mostra a silhueta do terrorista caminhando tranquilamente pela praia, enquanto o autor das imagens passa entre corpos ensanguentados.

O suposto assassino foi identificado pelas autoridades como Seifeddine Rezgui, de 23 anos.

Ele teria se radicalizado "principalmente" pela internet, declarou o primeiro-ministro, Habib Esid, em uma coletiva de imprensa difundida nesta segunda pela emissora de TV americana CNN.

"Penso que se radicalizou, sobretudo através da internet", destacou Esid.

"Não podemos confirmar por enquanto, mas há informações segundo as quais fazia parte de uma organização e era muito, muito próximo de uma mesquita que forma (recrutas do EI), pelo menos do ponto de vista intelectual", acrescentou.

Segurança excepcional

Horas depois do atentado, que compromete seriamente a temporada turística, o primeiro-ministro Habib Esid anunciou um "plano excepcional" e a mobilização "de unidades de segurança, armadas, ao longo de todo o litoral marítimo, assim como no interior dos hotéis, a partir de 1º de julho".

Além das vítimas britânicas, também figuram entre os mortos um alemão, um belga, um irlandês e um português, segundo as autoridades.

Entre os feridos, 39, segundo o último balanço tunisiano, seis estão em estado grave, anunciou a direção espanhola do Imperial Marhaba.

Em um artigo publicado nesta segunda, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, reiterou a determinação de seu país para lutar contra o terrorismo. 

Segundo as testemunhas, o ataque durou de 30 a 40 minutos. Muitos tunisianos se perguntam por que o terrorista não foi neutralizado antes pelas forças de ordem. Perguntado pela AFP, o porta-voz do ministério do Interior se negou a responder, indicando que o ministro falará à imprensa nesta semana.

A Tunísia foi durante muito tempo o destino preferido dos operadores turísticos europeus, mas após a revolução que derrubou em 2011 o ditador Zine al Abidine Ben Ali, os distúrbios políticos, as tensões econômicas e sociais e a escalada do jihadismo afetaram o setor vital do turismo, que gera cerca de 7% do PIB do país.

Nesta segunda, a ministra tunisiana do Turismo, Selma Elloumi Rekik, estimou que o impacto econômico do ataque ao hotel será superior a 450 milhões de euros em 2015.

"Não é possível dar um número exato (...) do impacto sobre o PIB, mas haverá um prejuízo de, ao menos, um bilhão de dinares ao ano", disse a ministra sobre o atentado.

Além dos ataques contra os turistas, dezenas de soldados e policiais morreram desde a revolução de 2011 em atos violentos, a maioria no monte Shambi (centro-oeste), onde se encontra a principal milícia jihadista na Tunísia.

O país também forneceu o maior contingente de cidadãos - 3 mil - aos grupos jihadistas de Síria, Iraque e Líbia.

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