Publicado 29 de Junho de 2015 - 11h46

Por France Press

Combatentes do Estado Islâmico pouco antes da execução de 11 soldados iraquianos

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Combatentes do Estado Islâmico pouco antes da execução de 11 soldados iraquianos

O "califado" do grupo Estado Islâmico (EI) proclamado em territórios sob seu controle no Iraque e na Síria entrou no seu segundo ano, enquanto a comunidade internacional se mostra incapaz de deter as atrocidades dos jihadistas que atacaram recentemente a Tunísia e o Kuwait.

O grupo, liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, anunciou em 29 de junho de 2014 que criaria uma forma de governo islâmico chamado de "califado" e garantiu que este duraria e se expandiria.

Em um ano, o grupo expandiu seu território na Síria e no Iraque, apesar da formação de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos que tenta pará-lo.

O EI também conseguiu estabelecer uma rede de grupos afiliados em todo o mundo e procura destilar medo muito além dos países onde atua diretamente.

Esta semana, reivindicou um ataque mortal na Tunísia, que custou a vida de 38 pessoas, a maioria turistas estrangeiros.

Também está por trás do atentado suicida contra uma mesquita xiita no Kuwait, que matou 26 pessoas.

Igualmente pode ter servido de inspiração para o autor de um atentado na França, que assassinou seu chefe e tentou explodir o seu carro em uma usina de gás.

"Não está claro se essas ações são centralizadas ou coordenadas pelo EI. Mas corremos o risco de ver membros ou simpatizantes do EI, retornando para casa depois de receber treinamento militar, de realizar ataques por iniciativa própria e cuja extensão depende da sua capacidade, seus meios e oportunidades", explica Yezid Sayegh, pesquisador do Centro Carnegie para o Oriente Médio.

Milhares de vítimas

A maneira como o EI governa seu território na Síria e no Iraque provoca grande medo e horror. Seus assassinatos em massa e execuções brutais tornaram-se sua marca registrada.

O grupo controla cerca de metade do território sírio, uma grande parte desabitada, e quase um terço do Iraque.

Só na Síria, os jihadistas do grupo executaram em um ano mais de 3.000 pessoas, incluindo 1.800 civis, destes 74 crianças, segundo informou no domingo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Esta avaliação inclui as 200 pessoas mortas na cidade curda de Kobane (norte) em um ataque na semana passada e os 900 membros da tribo sunita Shaïtat, que pereceram em 2014 por se opor aos jihadistas.

Não há números precisos sobre seus crimes no Iraque, mas acredita-se que o grupo executou milhares de pessoas, incluindo 1.700 recrutas, em sua maioria xiita, mortos ao norte de Bagdá.

A estes números, somam-se milhares de mortes em combates na Síria e no Iraque, incluindo de rebeldes sírios, combatentes curdos e militares dos dois países, assim como milicianos xiitas no Iraque.

Nenhum de seus adversários pode se gabar de grandes vitórias, e certamente não os militares iraquianos, que são particularmente criticados por ter abandonado suas posições em meados de 2014.

Derrotas militares e políticas

"Teoricamente, Bagdá possui forças suficientes para controlar seu território, mas o problema é que nem todas as forças que lutam contra o EI recebem instruções de Bagdá. Alguns fazem o que querem e outros recebem instruções de fora", diz Zaid al-Ali, autor do livro "The Struggle for Iraq's Future" (A batalha pelo futuro do Iraque, em tradução livre).

Na Síria, apenas as forças curdas, apoiadas pela coalizão internacional, infligiram reais derrotas a esse grupo, porque, de acordo com analistas, os rebeldes não têm armas de qualidade e as forças do regime carecem de motivação para combater os jihadistas.

Mesmo a coalizão pode reivindicar vitórias limitadas durante a realização dos ataques aéreos diários na Síria, enquanto no Iraque treina o exército iraquiano.

Ela apoiou as tropas terrestres que conseguiram expulsar o EI de Kobane e Tall Abyad na Síria, bem como da província de Diyala e Tikrit, no Iraque.

Mas os jihadistas continuam a colher vitórias, como a tomada recente da antiga cidade de Palmyra, na Síria, ou da capital provincial de Ramadi, no Iraque.

Para Yezid Sayegh, "a mobilização internacional contra o Daesh (acrônimo em árabe para o EI) tem sido mínima. Talvez a coalizão não possa fazer melhor, porque está fora de questão considerar o retorno de 150 mil soldados americanos para o terreno".

No entanto, para os analistas, o sucesso do EI resulta em problemas mais políticos do que para as questões militares. O sucesso do EI reavive as "divisões sectárias e traz à tona a corrupção e décadas de autoritarismo", diz o pesquisador.

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