Publicado 05 de Junho de 2015 - 8h23

Por France Press

O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, admitiu nesta quarta-feira que seu Partido Nacional (PN, direita) recebeu dinheiro desviado da Previdência Social, em um escândalo de corrupção que desatou uma onda de protestos no país para exigir sua renúncia.

"Como todos, nós estamos indignados" com isto, declarou Hernández, que defendeu uma investigação "até as últimas consequências" por parte da procuradoria.

Em entrevista concedida a três jornalistas da imprensa hondurenha, Hernández admitiu que o pessoal da contabilidade do seu partido lhe informou sobre o recebimento de três milhões de lempiras - cerca de 136 mil dólares- do IHSS para a campanha presidencial.

"Mas não chega a três milhões de lempiras" este dinheiro que o PN recebeu do Instituto Hondurenho de Previdência Social (IHSS), minimizou Hernández.

A oposição acusa o presidente de ter recebido 90 milhões de dólares de mais de 300 milhões desviados do IHSS para sua campanha eleitoral de 2013.

Na semana passada, mais de 5 mil pessoas protestaram na capital para exigir a renúncia de Hernández, o que deflagrou uma onda de manifestações em diversas cidades do país.

"As pessoas têm o direito de ocupar as ruas para exigir a condenação dos que cometem atos de corrupção", disse o presidente na entrevista.

O presidente destacou que foi ele que deu a ordem para a investigação do desvio de dinheiro do IHSS, e revelou que dez funcionários da Previdência já estão presos.

O Congresso nomeou uma comissão de deputados para verificar os progressos nas investigações, que deverá apresentar um relatório nesta quinta-feira.

O promotor encarregado do caso, Roberto Ramírez Aldana, recebeu ameaças de morte e o governo optou por afastá-lo do país, designando-o para o cargo de embaixador junto à Unesco, em Paris.

"O presidente tem o grave problema de ignorar o seu envolvimento no desvio de dinheiro da previdência para seu partido", disse à AFP o ex-presidente (deposto) Manuel Zelaya.

Ao comentar que Hernández pretende devolver o dinheiro desviado, Zelaya comentou: mesmo que devolva tudo, "como vamos recuperar os 2.800 pacientes que perderam a vida por falta de assistência médica" no governo precedente?

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