Publicado 04 de Junho de 2015 - 22h01

Por France Press

O governo Obama deu à Agência de Segurança Nacional americana (NSA, sigla em inglês) autoridade legal para interceptar as comunicações de alguns hackers, sem que tenha havido um debate público sobre a ampliação desses poderes, noticiou o jornal "The New York Times".

Segundo documentos divulgados on-line pelo "NYT" e vazados pelo ex-analista terceirizado da NSA, Edward Snowden, em 2012, o Departamento de Justiça autorizou a agência a interceptar comunicações de hackers - sem precisar de mandato judicial - desde que seja possível estabelecer algum vínculo entre o hacker e um governo estrangeiro.

Essas ações podem ser realizadas usando como "seletor" endereços IP, ou linhas de código, diferentemente dos endereços de e-mail, ou números de telefone adotados em geral pela NSA para ouvir estrangeiros.

Em nota, o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), que controla todas as agências de Informação americanas, lembrou que a ciberameaça contra os Estados Unidos aumenta "em frequência, em escala, em sofisticação e na severidade de suas consequências".

"Nesse contexto, não é surpreendente que o governo americano reúna informação sobre os poderes estrangeiros que tentam penetrar as redes americanas e roubam informação privada de cidadãos americanos e de empresas", explicou o ODNI.

A interceptação de mensagens de hackers é feita no âmbito da seção 702 do Foreign Intelligence Surveillance Act (Fisa), um dos programas de monitoramento e vigilância global revelados ao mundo por Snowden.

A revelação chega dois dias após os Estados Unidos aprovarem uma reforma nos programas de inteligência que reduz os poderes da NSA, particularmente os relacionados à coleta maciça de dados telefônicos, autorizada após os atentados de 11 de setembro de 2001.

A reforma, denominada "USA Freedom Act" (Lei da Liberdade dos EUA) tem como objetivo limitar o programa da NSA de coleta de metadados das chamadas telefônicas (com indicações de hora, duração e número discado), a mais criticada das medidas de espionagem colocadas em vigor no âmbito da "Patriot Act" (Lei Patriótica).

A nova legislação transfere os dados obtidos para as companhias de telecomunicações, visando a amenizar os temores sobre a vigilância dos americanos por parte do governo.

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