Publicado 02 de Junho de 2015 - 12h09

Por Alenita Ramirez

Corpo de homem foi encontrado por policiais militares e pouco depois o assassino se apresentou à Polícia Civil

Alenita Ramirez/AAN

Corpo de homem foi encontrado por policiais militares e pouco depois o assassino se apresentou à Polícia Civil

Um homem de 41 anos foi morto com golpes de paralelepípedo na cabeça e rosto no final da noite de segunda-feira (1°), no terreno da antiga rodoviária, no bairro Botafogo, em Campinas.

A princípio, a polícia informou que Ezequiel Vieira da Silva era morador de rua, mas familiares que são de Aragarças, em Goias, leram a reportagem no Portal do Correio Popular e disseram que a vítima estava na cidade campineira a tratamento de hepatite e que retornaria na tarde de segunda, mas desapareceu.

O autor do crime, o servente Luciano Barboza, de 35 anos, se entregou cerca de 6h depois no 1º Distrito Policial (DP), quando a polícia registrava o boletim de ocorrência (BO) de homicídio. Ele foi preso e encaminhado para a cadeia anexa ao 2º DP.

O suspeito alegou que era assediado por Silva, que era gay. Com as novas informações da família, o caso sofre uma reviravolta e será investigado também como latrocínio - roubo seguido de morte.

O corpo foi achado por volta das 23h40 pela Polícia Militar (PM) após denúncias anônimas, ao lado de uma coluna de concreto, onde moradores de rua costumam dormir. No bolso da calça da vítima foi achado apenas a cópia da Identidade (RG). A pedra usada no crime estava nas proximidades do corpo.

Segundo uma sobrinha, a empresário Doanne Diehl, de 29 anos, Silva chegou a Campinas no dia 29 de maio e pegaria o ônibus de volta a Goiás, às 15h25.

"Ele estava com mala, dinheiro e a passagem de volta. A última vez que meu avô falou com ele foi pouco antes das 15h, mas depois não conseguimos mais falar com meu tio", contou. "Até onde sabemos, meu tio não era homossexual, só era doente e estava muito debilitado", acrescentou.

A ONG SOS Rua confirmou que Silva não tinha cadastro como morador de rua e que ele estava bem-vestido.

Segundo a Polícia Civil, o servente relatou que mora em Mogi Guaçu e estava em um alojamento na cidade por conta de um serviço na área da construção civil. O homem teria dito que desde que chegou na cidade, há cerca de duas semanas, recebia convites da vítima para sair, até que anteontem à noite, ao passar pela Rua Barão de Parnaíba, voltou a ser assediado e perdeu a cabeça.

O suspeito disse que pegou o paralelepípedo, agrediu Silva e fugiu sem olhar para trás. Ele teria ido até um bar nas proximidades, onde bebeu algumas doses de pinga e foi aconselhado por algumas pessoas para se entregar.

"Ele chegou calmo e disse que queria se entregar porque tinha matado uma pessoa. Na hora ninguém acreditou, mas ele deu detalhes do crime e então o prendemos", contou um policial civil.

Segundo o suspeito, ele teria avisado para a vítima que gostava de mulheres e que não queria ser mais assediado. Barboza tem passagem criminal por roubo. "Vamos chamar a família para prestar depoimentos, pois até então tínhamos só a versão do autor" , disse o delegado Roney de Carvalho Lima.

SOS Rua

A ONG SOS Rua faz trabalho de abordagem com os moradores de rua todos os dias e afirma que não tem cadastrado a vítima e nem o autor. Quando há situação de rua, a ONG tentar convencê-los a ir para o Albergue Municipal, mas quando recusam as assistentes fornecem cobertores para os abordados.

Nesta terça-feira (2) à tarde, agentes foram no local e notaram que a área onde a vítima foi achada serve para descartes de objetos furtados ou roubados. No local havia uma mala.

Dados da Secretaria de Assistência, Cidadania e Inclusão Social mostram que em fevereiro deste ano haviam 642 moradores de rua em Campinas, sendo 277 só na região Leste, que abrange o centro.

A operação inverno começou em maio e funciona das 8h às 24h, de segunda a sexta-feira e nos finais de semana das 18h às 24h.

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Alenita Ramirez