Publicado 31 de Maio de 2015 - 17h01

Por Adriana Leite e Silva

Fotos: Dominique Torquato

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento das cidades que estão na área da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), entra no período mais seco do ano com um volume armazenado de 19,6% (somados volume útil e morto) da sua capacidade. A subida em relação a última semana foi de 0,1%. O índice está abaixo dos 24,9% do ano passado, mas as chuvas dos últimos dias trouxeram alívio para o sistema. De acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), as chuvas acumuladas na área do Cantareira somaram 74,4 milímetros no mês de maio. O volume é 99,46% acima dos 37,3 milímetros de maio de 2014.

Em Campinas, nas últimas 72 horas, choveu um acumulado de 46,7 milímetros, conforme informações do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri). No mês, o volume chegou a 51 milímetros. Na Estação de Captação de Água no Rio Atibaia, na altura de Valinhos, a vazão era de 9,55 metros cúbicos por segundo (m3/s) na manhã de ontem. A temperatura mínima foi de 15,1ºC no domingo e a máxima atingiu 16ºC. Mas junho já deve começar com Sol e temperatura em elevação.

Apesar de o volume armazenado ser menor do que no ano passado, o diretor-técnico da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Marco Antônio dos Santos, afirmou que a situação está mais confortável neste ano para enfrentar o período de estiagem porque a retirada de água do Sistema Cantareira para a Grande São Paulo é menor. "No ano passado, tínhamos um pouco mais de água nos reservatórios, mas a Grande São Paulo retirava 31 metros cúbicos por segundo. Neste ano, a média está em 13,5 metros cúbicos", apontou.

Ele ressaltou que "a diminuição da retirada com um volume maior estabelecido para a região do PCJ deixa a situação mais confortável do que em 2014". Contudo, Santos frisou que o cenário ainda é crítico e a população terá que manter o esforço para que não falte água. "Atualmente, os 2 metros cúbicos liberados para a região estão sendo suficientes para atender a demanda de Campinas, visto que também existe economia de água", comentou.

Ele observou que a vazão na captação em Valinhos vêm se mantendo estável, assim como o volume armazenado no Sistema Canteira. "Não verificamos mais quedas acentuadas no nível dos reservatórios. Esperamos que a situação permaneça dessa forma no período de estiagem. Todos teremos que fazer esforço para manter um consumo consciente", salientou.

Chuva

O pesquisador do Cepagri, Hilton Silveira, afirmou que, normalmente, o mês de maio é o último com volumes mais significativos de chuvas, antes do período mais seco do ano que vai de junho a outubro. "Maio é o último período de chuvas mais intensas antes da seca. É normal as chuvas que caíram nos últimos dias para este período do ano", salientou.

Ele apontou que a média histórica para o mês de maio nos últimos 127 anos é de 63 milímetros para junho de 35 milímetros e julho de cerca de 43 milímetros. “Se considerarmos hoje, para maio, estamos com 51mm. Significa dizer que estamos dentro dos níveis de chuva esperados, índices dentro da normalidade, e isso desde janeiro, aliás”, observou. O termo crise hídrica ainda deve rondar as previsões metereológicas. “Ainda não recuperamos os níveis perdidos no ano passado, a preocupação continua”, ponderou.

O coordenador da Defesa Civil Regional, Sidnei Furtado, comentou que, apesar da chuva contínua, não houve registro de ocorrências. "A chuva foi moderada e não houve registro de ocorrências em Campinas e região. A situação ficou tranquila", disse.

Partilha

No último dia 25 de maio, Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) definiram a liberação de água do Sistema Cantareira para a região da Bacia PCJ e a Grande São Paulo no período entre junho e novembro, considerado a fase de estiagem e mais crítica do ano para o abastecimento em decorrência da crise hídrica, com um aumento de 2 metros cúbicos por segundo para 3,5 metros cúbicos por segundo para a região do PCJ. Outra determinação é que a Sabesp terá que reduzir de 13,5 metros cúbicos por segundo para, no máximo, 10 metros cúbicos por seguno a retirada de água a partir de setembro.

A companhia e o Daee apostam na interligação entre os sistemas Rio Grande/Biilings e do Alto Tietê para diminuir a dependência da Grande São Paulo da água que vem do Sistema Cantareira. A previsão é que as obras de interligação entrem em operação a partir do dia 1º de setembro.A ampliação do volume para a região de Campinas foi considerada positiva pelos especialistas do Consórcio PCJ e pelos industriais da região, que temem a parada de produção em decorrência da crise hídrica, mas eles ressaltaram que a vazão de 3,5 metros cúbicos por segundo ainda é insuficiente para atender a demanda local.

Elemento

78,2

milímetros

é a média histórica de chuvas na área do Sistema Cantareira

Escrito por:

Adriana Leite e Silva