Publicado 31 de Maio de 2015 - 16h55

Por Adriana Leite e Silva

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O dia de hoje promete ser agitado na Câmara dos Vereadores de Campinas. Movimentos sociais e de direitos humanos marcaram para a tarde de hoje, quando ocorre audiência pública sobre a emenda à lei orgânica que proíbe a inclusão de ideologia de gênero nas escolas da cidade, um beijaço, purpurinaço e saiaço para mostrar indignação contra a proposta e também a postura homofóbica exposta por alguns legisladores, na semana passada, durante a discussão do projeto de autoria de Campos Filho (DEM). Os organizadores da manifestação esperam por pelo menos 600 pessoas.

Na página do evento no Facebook, várias mensagens dão apoio ao protesto e prometem colocar centenas de pessoas no local para derrubar o projeto. Na última sexta-feira, foi realizada um debate em uma comissão especial, presidida pelo vereador Jorge Schneider (PTB), um dos legisladores defensores da proposta de Campos Filho. Na quarta-feira passada, as frases esbravejadas por Schneider durante a sessão geraram protestos e revolta de parte do público que estava na Casa de Leis. Outro que extrapolou na retórica foi Cid Ferreira (SDD).

A representante do Coletivo Rosa Lilás, uma das entidades que organizam a manifestação, Carolina Figueiredo, afirmou que o objetivo do movimento é fazer um debate sobre o tema. “Nós queremos ser ouvidos. Nosso objetivo é mostrar a nossa indignação e apresentar o nosso ponto de vista. Queremos dar visibilidade para a nossa luta de igualdade. A proposta é absurda. Não vamos para o protesto para promover confrontos. Queremos participar do debate”, comentou.

Ela ressaltou que o fato de a audiência ter sido marcada para o Plenarinho limita a participação de mais pessoas. “Mais de 800 pessoas entraram na página do evento que criamos na internet. Esperamos entre 500 e 600 pessoas na manifestação que faremos na Câmara na tarde de amanhã (hoje)”, disse. Ela lembrou que na sessão da última quarta-feira havia entre 200 e 300 pessoas (favoráveis e contrárias ao projeto) no plenário.

Pauta

À noite, os vereadores terão dois assuntos importantes para avaliar. Na pauta, está a primeira dicussão do projeto de Lei nº 124/15, que trata da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) para o ano de 2016. A proposta do Executivo prevê que a cidade terá um crescimento de 7%. No documento, o governo aponta ainda as metas para a área da Educação, como a construção da Nave Mãe no bairro São José, San Martin e Gleba B. O documento detalha ainda os investimentos nas áreas da Saúde, como a construção do centros de saúde no Jardim Lisa, São Diego e no bairro Village.

Também será analisada em turno único de discussão e votação o projeto de Resolução nº 7/15, de autoria da Mesa da Câmara, que altera a estrutura do quadro de servidores de gabinete de vereador da Câmara Municipal. No primeiro momento, a redução será de 1.181, sendo assim o total de cargos comissionados em gabinetes passa a ser 568, número que, pelo mesmo projeto, será reduzido mais uma vez – para 330 - a partir de 1º de janeiro de 2017. O projeto também prevê que a partir da próxima legislatura, cada gabinete de vereador, que hoje pode dispor de até 15 assessores, será limitado a dez.

Elemento

“Não podemos aceitar a votação de um projeto como a proposta que está na Câmara sem que exista discussão com toda sociedade”

Carolina Figueiredo, ativista

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Adriana Leite e Silva