Publicado 08 de Maio de 2015 - 17h56

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O prefeito de Americana, Omar Najar (PMDB), enviou à Câmara de Vereadores projeto de lei que reajusta o seu subsídio, do vice-prefeito e dos secretários em 6,22%, apesar da enorme crise financeira da cidade. O índice de reajuste é o mesmo concedido ao funcionalismo municipal no mês passado, mas inferior ao aumento salarial dos vereadores (7,3%). Caso o reajuste seja aprovado, a remuneração do peemedebista passará de R$ 22,4 mil para R$ 23,8 mil e será o maior entre os prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Atualmente o título é do prefeito de Santa Bárbara dOeste, Denis Andia (PV), que recebe R$ 23,2 mil. O montante das duas cidades é superior até ao salário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de R$ 21,6 mil (já reajustado neste ano em 4,7%). De acordo com o projeto, o subsídio do vice-prefeito e dos secretários em Americana passará de R$ 12.174,78 para R$ 12.932,05. O reajuste será concedido de forma retroativa a 1º de janeiro deste ano e a proposta ainda será submetida às comissões da Câmara antes de entrar na pauta de votação.

O prefeito Omar Najar ressaltou que o aumento é o mesmo recebido pelos servidores e disse que a legislação obriga a aplicação do reajuste. "Mandamos o projeto de acordo com a lei, nada diferente do funcionalismo. De acordo com o Departamento Jurídico é obrigatório o reajuste. Se pudesse abriria mão, porque não me faz falta", justificou. O peemedebista se mostrou surpreso ao ser informado que o seu rendimento seria o maior da região. "Sinceramente não sabia, a Prefeitura numa situação dessas...Não gosto disso, mas paciência", completou.

Por outro lado, o prefeito da pequena Morungaba, José Roberto Zem em (PV), detém o menor salário da região, com rendimento mensal de R$ 8.671,86. O valor é quase três vezes inferior à remuneração proposta pelo prefeito de Americana. "Não entrei na política para ganhar dinheiro e faz sete anos que meu salário não sofre reajuste", afirmou Zem, que está em seu segundo mandato como prefeito. Ele lembrou que os salários dos vereadores do município também são baixos : R$ 1,8 mil.

Crise financeira

Americana vive a maior crise financeira de sua história. Diante da situação caótica, a Prefeitura anunciou que deverá adiar, a partir deste mês, pagamento a fornecedores e de impostos para tentar garantir o salário do funcionalismo. Apesar de ter anunciado ao logo desses quatro meses cortes em alugueis, funcionários comissionados e demais despesas, a dívida da cidade é de R$ 1,2 bilhão, enquanto a previsão de receita para o ano que vem é de R$ 897 milhões. "Nós estamos pagando religiosamente o que assumimos a partir do dia 9 (de janeiro, quando tomou posse). Não vamos deixar de pagar os fornecedores que assumimos, mas os anteriores estamos negociando e procurando ver as contas apresentadas", explicou Najar.

Segundo balanço apresentado pela Administração no final de abril, até o momento foram cortados com custos de pessoal, gratificações, telefone celular e contratos cerca de R$ 54,5 milhões. Com aluguéis de imóveis foram desfeitos R$ 800 mil em contratos e com a frota de veículos oficiais R$ 1,2 milhão por ano. A Prefeitura também renegociou R$ 150 milhões em dívidas com fornecedores, mas amarga R$ 1,2 bilhão em dívida com o INSS, com o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Americana (Ameriprev) e FGTS. Porém, a dimensão real do tamanho do rombo nas contas será conhecida somente no final de maio, na apresentação do balanço do primeiro quadrimestre.

Salário atual dos prefeitos da RMC

Cidade Valor

Americana 22.476,52

Artur Nogueira 10.718,00

Campinas 19.621,91

Cosmópolis 13.588,25

Engenheiro Coelho 12.900,00

Holambra 10.866,07

Hortolândia 20.024,00

Indaiatuba 16.588,62

Itatiba 20.040,82

Jaguariúna 19.183,36

Monte Mor 12.720,00

Morungaba 8.671,86

Nova Odessa 16.300,00

Paulínia 15.500,00

Pedreira 15.595,00

Santa Bárbara dOeste 23.262,43

Santo Antonio de Posse 12.777,78

Sumaré 15.000,00

Valinhos 20.842,95

Vinhedo 19.825,00

Governador de São Paulo 21.631,00

Presidente da República 30.900,00

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Bruno Bacchetti