Publicado 08 de Maio de 2015 - 17h43

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Dominique

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Flanelinhas que olham os carros na Rua Dr. Thomas Alves, no Centro, estão guardando vagas para determinados veículos sentados em cadeiras, na rua. Quem precisa parar se depara com os rapazes impedindo a vaga, geralmente por volta do meio-dia, quando o movimento é intenso na região. Motoristas relatam que já foram intimidados ao tentar parar em uma vaga que estava sendo “ocupada” por um guardador de carro. Esses mesmos flanelinhas vendem cartão zona azul, sem autorização, e cobram até R$ 6,00 quando o custo real é de R$ 3,20 a hora.

A prática é ilegal e o Correio já denunciou o problema da cobrança abusiva, inclusive na mesma rua, em dezembro do ano passado. Os mesmos flanelinhas continuam comercializando as vagas e segurando espaço, principalmente para clientes conhecidos. “Eles recebem boas gorjetas de determinadas pessoas, principalmente daqueles que vão a um restaurante aqui perto. São ‘clientes’ fixos me parece”, relatou uma comerciante, que preferiu não se identificar.

Geralmente quatro bancos de madeira são colocados sobre a vaga e três rapazes fiscalizam os estacionamentos. Nesta sexta-feira pela manhã haviam três banquetas de madeira, sendo que duas delas foram retiradas de cima da vaga assim que a reportagem chegou. A prática ocorre somente no primeiro quarteirão, entre a Avenida Anchieta e a Rua Luzitana. Um dos flanelinhas deixou claro que a venda com ele era a R$ 6,00, e que “se quiser vai até um ponto autorizado, por que aqui é assim”, esbravejou.

Ontem, para agravar ainda mais a situação do motorista, a Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) colocou cavaletes em pelo menos cinco vagas ao lado direito da Dr. Thomaz Alves. “A rua é pública e precisa acabar com essa história de guardador. A gente se sente coagido e muitas vezes obrigado a dar um troco”, expôs a auxiliar administrativa Carmen Pauleto, de 41 anos. Ela encontrou vaga, mas foi até a banca na quadra de cima comprar a zona azul por R$ 3,20.

Nos pontos autorizados os comerciantes ganham R$ 0,20 por cada bilhete de zona azul vendido. Já os flanelas embolsam R$ 2,8, o que é caracterizado como extorsão, segundo as autoridades. Entretanto a prática está disseminada em todos os pontos da cidade, e há poucos casos em que o consumidor denuncia o abuso. Alguns agentes de trânsito orientam que uma forma de não depender do preço cobrado pelos atravessadores é comprar dois ou três bilhetes, em local conveniado, e deixar no veículo para eventual uso.

O comando da Polícia Militar foi procurado no começo da tarde de ontem. Entretanto, até às 18h, não havia respondido aos questionamentos. A Secretaria de Segurança de Campinas informou que a Guarda Municipal pode ser acionada em caso do consumidor se sentir lesado, mas que a corporação encaminhará o caso para a delegacia pertencente àquela região. A GM não pode encaminhar o intermediário para as autoridades, já que sua função é zelar pelos próprios públicos.

Já a Emdec informou que a nova licitação que irá privatizar a zona azul depende da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 21/2015, que “Dispõe sobre a implantação, operação, manutenção, conservação, fiscalização e gestão das infraestruturas de Mobilidade Urbana”. A Justiça de Campinas determinou a suspensão do processo em janeiro desse ano, por considerar que o projeto continha erros, como falta de audiência pública para discutir a terceirização. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo também havia julgada irregular e suspendida a licitação para contratação da empresa. Em até um mês o projeto deverá entrar em tramitação na Câmara. “Quando for devidamente aprovado na Câmara, o PLC poderá embasar o processo licitatório”, divulgou em nota a Emdec.

Hoje, existem vagas rotativas no Centro e Guanabara. A proposta é expandir o sistema para os distritos de Barão Geraldo, Nova Aparecida e Sousas. O número de vagas de Zona Azul passará de 1.902 para 9.620 com o novo sistema, que prevê também a instalação de parquímetros, para compra automática de cartões. De acordo com o edital, caso fosse terceirizada, o valor teria reajuste inicial e ficaria em R$ 3,50.

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Adagoberto F. Baptista