Publicado 08 de Maio de 2015 - 14h14

Por Rogério Verzignasse

Fotos Carlinhos

Grandes fotos internas da Silverado

Fotos da rara Excalibur na funilaria

Foto da Daewoo saindo pelo portão

Comportamento ||| Dedicação artesanal

No carrão de luxo, o casório perfeito

Montagem de limusines virou negócio para campineiro fissurado por máquinas importadas

Veículo adaptado

é símbolo da

data inesquecível

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Quem vê de fora, já fica impressionado. A Silverado virou uma limusine com oito metros de extensão. Imponente, linda. Dentro, é encantador. Leds coloridos, projeções a laser, sistema superpotente de som, telas de vídeo, suportes para a champanha e as taças. É o sonho de consumo de toda noiva: chegar na igreja como uma princesa. Na garagem, há outros modelos: Mercury, Daewoo, Galaxies... Estilos diferentes, atrações exclusivas. O aumento da distância entre os eixos exige cortes de lataria, dobras exatas, adaptações internas, ajustes mecânicos e elétricos. As adaptações dobram o valor do carro.

As limusines são, há duas décadas, a paixão do campineiro Fabiano Tilli. O cidadão, hoje com 43 anos, montou o primeiro veículo em 1994, a partir de um Ford Landau. E a ideia deu tão certo que o homem vive até hoje de alugar os carrões para festas. E ele se diverte: não suja mais as mãos de graxa. As intervenções são feitas em funilarias da cidade toda. Ele se ocupa, mesmo, de atender o telefone o dia inteiro, e falar com noivos interessados na organização da festa mais que especial.

Tilli conta que ele descobriu o negócio quando tinha 18 anos. Seu pai, seo Alfredo, era dono de uma floricultura ali pelo Largo das Andorinhas, e ornamentava templos para cerimônias de casamento. . Fabiano, no caso, tinha a missão de levar os noivos até a igreja. Na mesma época, ele se juntou a um grupo de amigos e fundou um clube de carros antigos. Sempre foi vidrado por Cadillacs e Lincolns. E, criativo, começou a equipar as máquinas com capotas, acessórios especiais, ornamentos internos. Num belo dia, teve a ideia de juntar o hobby à profissão, e montar a primeira limusine.

Ah, o começo foi difícil. Para ganhar uns trocos, o homem alugava o carrão até para festas em clubinhos fechados, com marmanjos fazendo farra com meninas de programa. E o chofer, gargalha, lembra que tinha passava a manhã seguinte limpando os estofados, sentindo o maior nojo. Depois, as limusines passaram a ser usadas em programas de humor na televisão. Prejuízo grande. O carro era destruído em quadros marcados por muita bagunça. Mas, duas décadas e muitos carros depois, a situação melhorou muito.

Hoje, quando o homem deixa a garagem com a “barca”, quem anda na calçada fica de queixo caído. “O povo adora ver o carro”, fala. As limusines viram até atração de aniversário infantil. Tilli diz que já transportou atores, cantores. Mas, claro, as noivas ainda são as grandes clientes. Ah, um detalhe importante. A locação não é feita só por quem tem muito dinheiro. Ao contrário. Um rapaz humilde faz questão de gastar o dinheirinho suado para agradar a amada. “A cena mais emocionante do mundo é ver a reação da noiva no momento em que o carro a busca em casa. Tem moça que não acredita, quase desaba de tanto chorar”, fala.

Mensalmente, Tilli é o motorista elegante de oito casamentos, em média. Quando as datas e horários batem, ele conta com a ajuda de amigos que assumem a direção dos outros carros. O aluguel de uma limusine varia de R$ 850 a R$ 1,2 mil reais. O preço muda de acordo com o modelo. E com a distância percorrida. É que aqueles furacões bebem uma gasolina lascada. Há modelo ali na garagem que anda só três quilômetros com um litro de combustível.

Peça rara

E o Tilli _ chofer, colecionador, funileiro eventual – investe o que tem no negócio. O homem acaba de comprar uma raríssima Prince Excalibur europeia. A frente do veículo é ornamentada, ao lado do capô, com a buzina de ar e as quatro alças metálicas que imitam o sistema de escapamento que existia nos anos 30. O carraço, que custou uma fábula, virou limusine com a ajuda do Kiko, dono de uma tradicional funilaria ali na Rua Mário Natividade, no Taquaral. Na semana, o homem adaptava a suspensão do veículo. É que o pneu dianteiro começou a rapar na lataria, depois que a Excalibur passou a ter mais de sete metros de extensão. Trabalho de artista.

Bom, a Excalibur chegou há um mês, já consumiu quase R$ 80 mil em intervenções de lataria, motor e adaptações. “É, o preço do aluguel precisa ser mais pesadinho”, diverte-se Tilli.

SAIBA MAIS

As pessoas interessadas em obter informações detalhadas e imagens dos os veículos montados na garagem podem acessar o site www.tillilimo.com.br

O telefone de contato é o (19) 99774-1262 .

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Rogério Verzignasse