Publicado 07 de Maio de 2015 - 17h45

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Dominique (tem vídeo)

"Vá em busca de seus sonhos, não deixe que o medo atrapalhe". Esta é uma das dezenas de frases que ilustram a parede da casa do pintor Francisco Antonio Pereira, de 54 anos, natural de Castanhal, no Pará, distante cerca de 70 km da capital Belém. Ele veio para Campinas há quatro anos e mora sozinho em uma pequena casa no Jardim Conceição, em Sousas. Pereira começou a pintar as frases nas paredes e até no teto há aproximadamente um ano, como forma de se expressar e espantar a solidão. E não parou mais, espalhando a arte por vários cômodos. No entanto, o paraense terá que deixar a casa até o final de semana por decisão dos proprietários do imóvel, e provavelmente terá que cobrir as frases que escreveu nas paredes.

Pereira conta que a inspiração para as frases vem de letras de música, poesias e para-choques de caminhão. Porém, algumas são de sua própria autoria, fruto de reflexão e pensamentos que acompanham o nortista. A ideia começou de forma despretensiosa e foi tomando corpo ao longo do tempo. "Fiz uma frase ali, outra acolá e tive a ideia de encher a parede. São frases que vejo na traseira de caminhão, poesia, algum trecho de música. É um modo de expressar, como estou só, é como se conversasse com a gente mesmo. Sempre gostei de escrever", conta, orgulhoso.

Entre as frases pintadas por Pereira estão o trecho da música "Chega", do cantor Silvio Brito, sucesso nos anos 70: "Chega de ficar calado, de ver tudo errado e só dizer sim". Existem sentenças de otimismo ("Não há vitória sem luta, mas não há luta sem vitória" e "Não lembre do passado para não ter medo do futuro"), religiosas ("Ame a Deus sobre todas as coisas, ame a vida, ame o próximo, que você não é melhor que ele" e "Obrigado, Senhor) e românticas ("Quem ama abraça. Quem ama cuida. Dá carinho. Dá amor").

A expressão do pintor, no entanto, muda quando pensa na possibilidade de ter que cobrir com tinta as frases escritas com tanta inspiração. A casa é alugada e os proprietários requisitaram o imóvel para vendê-lo. "Estou saindo daqui porque essa casa é de vários donos e pediram de volta para vender. Vou falar com eles no sábado, quando vou saber se vão querer que pinte. É triste, fiz um trabalho com tanto carinho para acabar de uma hora para outra", lamenta. Entretanto, apesar da apreensão, ele não pensa em parar com a pintura das frases. "Vou mudar no domingo ou na segunda-feira, e pretendo fazer a mesma na outra casa", planeja.

À vontade em Campinas, para onde se mudou a fim de ficar próximo da família que mudara para a cidade, o pintor não pensa em retornar para o Estado natal, e sequer cogita deixar o distrito de Sousas. "Primeiro veio um cunhado, irmã, irmão e minha filha. Vim para cá ficar com a família. Na minha cidade tem muitos assaltos. Quando cheguei ficava gelado de medo se precisasse sair à noite. Mas agora me acostumei, gosto muito daqui e acho muito bom. Já passei por outros bairros e nenhum é igual", sentencia.

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Bruno Bacchetti