Publicado 07 de Maio de 2015 - 17h34

Por Milene

ÍíMilene Moreto

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Pelo menos 20 trabalhadores de Campinas contratados pelo Grupo Schahin e demitidos no mês passado estão sem receber seus salários desde março. Em recuperação judicial após ter seu nome envolvido nas investigações da operação Lava Jato, a construtora alega não ter recursos para pagar as verbas rescisórias, o que é estimado em R$ 200 mil. O grupo era o responsável pela mão de obra de um prédio residencial na Rua Major Solon, um empreendimento da Incorporadora Setim Home Life. Os trabalhadores vão acampar hoje em frente a obra numa tentativa de pressionar as empresas para que o pagamento seja feito. Mesmo com a contratação de outros trabalhadores, as obras estão paralisadas.

O presidente do Sindica da Construção Civil de Campinas, Francisco Aparecido da Silva, disse que os trabalhadores foram demitidos pela Schahin no dia 2 de abril com a promessa de que as indenizações seriam pagas até o dia 9 do mesmo mês, o que não ocorreu. O sindicato participou uma mesa de negociação com o Ministério Público do Trabalho e representantes da construtora, mas não houve acordo. “Os empresários alegaram que não tinha o dinheiro para pagar os funcionários porque a empresa entrou em recuperação judicial e todo o passivo está no momento penhorado na Justiça”, afirmou o sindicalista.

A saída foi cobrar o pagamento da Setim Home Life, que é a responsável pela mão de obra, apesar do serviço ter sido terceirizado. Segundo o sindicalista, a empresa informou que não pode efetuar o pagamento porque a contratação não era da sua responsabilidade.

Enquanto o impasse não tem uma solução, o grupo contratado para continuar as obras se recusa a trabalhar até que a verba dos ex-funcionários seja paga. A construção está paralisada há quatro dias. Os trabalhadores vão acompanhar hoje em frente ao local, que fica no Centro. “Essa mobilização vai continuar até que as empresas paguem o que devem. Os trabalhadores estão passando por necessidades e não conseguem arrumar outro emprego porque não foi dado baixa na carteira de trabalho. “É um desrespeito com os trabalhadores. A incorporadora havia prometido contratar o pessoal que tinha sido demitido. Isso também não aconteceu”, afirmou Silva.

Recuperação

O grupo Schahin protocolou no mês passado um pedido de recuperação judicial por entrar num cenário de dificuldades, inclusive, para bancar o pagamento dos funcionários. Envolvida na Operação Lava Jato, a companhia é a sexta a amargar um período de vacas magras após as denúncias. A dívida estimada deve ficar entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. Segundo nota distribuída pela companhia, o grupo irá “abandonar suas atividades no campo da engenharia e construção”.

A empresa já foi alvo de denúncias em Campinas em 2007. Na época, o Sindicato dos Servidores fez questionamentos sobre um empréstimo do grupo, no valor de R$ 641 mil, a Samuel Soares de Oliveira, dono da empresa Eletrotécnica Aurora, em 2004. No mesmo ano, ainda segundo a denúncia, a Aurora doou R$ 591,5 mil à campanha do então candidato Hélio de Oliveira Santos. A Câmara apurou o caso numa CPI, mas não houve responsabilização.

Em 2006, segundo ano de gestão do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), a Schahin Engenharia foi contratada sem licitação para tocar as obras do Hospital Ouro Verde, no valor de R$ 3 milhões, o que seria uma espécie de “triangulação” para favorecer o grupo que apoiou o prefeito. Do total de recursos, R$ 25 milhões eram do Ministério da Saúde e R$ 5 milhões de contrapartida do município.

Os representantes da Schahin não foram localizados para comentar o caso. Já a incorporadora Setim Home Life informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

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