Publicado 07 de Maio de 2015 - 17h23

Fotos: Élcio

Uma futura via pública do loteamento Alphaville Dom Pedro 2, em Campinas, vai receber o nome da jornalista Célia Siqueira Farjallat que morreu em março deste ano. A homenagem foi aprovada ontem na Câmara Municipal. A via tem início na Rua José Peressinoto, contorna a quadra K do loteamento e termina na mesma rua do lado oposto – formando uma espécie de ferradura.

A solicitação de homenagem à professora e jornalista foi feita pelo presidente da casa, Rafa Zimbaldi (PP). O pepista também havia feito o pedido ao prefeito Jonas Donizette (PSB). Além de nomear a via pública, Zimbaldi pretende protocolar pedido para que uma escola municipal receba o nome de Célia.

“Ela foi uma mulher notável e merece ser lembrada sempre. Acreditamos que seria maravilhoso batizar uma escola com o nome de dona Célia, que também era professora”, afirmou.

Célia morreu no dia 7 de março. Ela estava internada depois de se submeter a uma cirurgia renal para a desobstrução do intestino, mas não resistiu ao pós-operatório.

Célia ficou conhecida por ter sido a primeira mulher a trabalhar na imprensa em Campinas. A jornalista começou a escrever para o Correio Popular em 1942 e nunca parou. Teve cinco filhos, um deles falecido, 15 netos e 12 bisnetos.

No início da carreira, Célia, não assinava suas colunas. Ela também atuava como professora e o jornalismo ainda era uma carreira masculina, por isso mantinha-se anônima, como mostra o texto de mestrado Pioneiras, Mas Não Feministas: A Trajetória das Primeiras Mulheres na Imprensa Campineira, do jornalista Fabiano Ormaneze.

Os textos de Célia falavam, a princípio, sobre educação e valores familiares. Muito tempo depois, quando ela passou a assinar o nome completo, as publicações passaram a abordar as memórias de personagens da cidade, evoluiu naturalmente na profissão tornando-se uma das grandes cronistas da cidade, ajudando a resgatar e a preservar a história e a memória campinense.

Legado

Célia Farjallat gostava de ler, escrever crônicas e, segundo a família, deixou um legado de inteligência e cultura para os filhos, netos e bisnetos. Uma de suas autoras preferidas era Cora Coralina.