Publicado 06 de Maio de 2015 - 15h10

Por Sarah Brito Moretto

Foto: Dominique

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Um terreno abandonado na rua Alvares Machado, na esquina com a Avenida Aquidaban, próximo ao número 89, tem tirado o sono há anos dos moradores do entorno. Com a epidemia de dengue que assolou Campinas novamente este ano, a preocupação dobrou. Isso porque o local abandonado é usado por usuários de drogas, que deixam restos de entulho e lixo expostos próximo ao mato alto e restos de construção civil. O local já havia sido denunciado na série do Correio Popular no início do ano.

A Prefeitura de Campinas informou que já enviou notificações via correio para o proprietário, mas ainda não recebeu retorno. Segundo os moradores de um prédio próximo, que pediram para não serem identificados, o problema ocorre há mais de cinco anos, quando o esqueleto de um prédio que seria construído no terreno foi derrubado. Desde então, eles travam uma batalha para manter o local limpo e murado. Antes da demolição do esqueleto, o terreno era apenas cercado. Os moradores afirmaram que já tentaram localizar o proprietário, em vão.

“Eu trabalho há um ano aqui, e está assim, sem mudança. Vivo com a raquete elétrica para matar os pernilongos. E os usuários de drogas dão medo. Essa semana mesmo teve uma batida policial”, disse o porteiro de um dos prédios vizinhos, José Carlos Juleite.

O local está em parte murado. No entanto, uma das paredes foi derrubada. É por esse local que é possível o acesso ao terreno. Próximo ao muro há ainda muito lixo acumulado. É possível ver garrafas pet, copos plásticos e sacolas jogadas, acumulando água. O cheiro forte também marca o cenário.

São nesses recipientes que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, costuma depositar seus ovos. O ciclo do mosquito é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. O mosquito se reproduz em água limpa e parada. Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície.

Na fase do acasalamento, em que as fêmeas precisam de sangue para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença. Em média, cada Aedes aegypti vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos de cada vez.

A Prefeitura de Campinas informou que a Coordenadoria de Fiscalização de Terrenos (Cofit) á aguarda o aviso de recebimento dos Correios da notificação do pedido de limpeza. Se o responsável não fizer a limpeza após o prazo de 10 dias do recebimento da notificação, será multado no valor de R$ 656,93. Se não realizar a limpeza depois de 10 dias da primeira multa, receberá a segunda multa, que é equivalente ao dobro do valor da primeira (R$1.313,85).

Intertítulo - Números

De acordo com o último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde de Campinas, a cidade registrou até o último dia 29 de abril 30.324 casos confirmados de dengue neste ano com sete mortes provocadas pelo agravamento da doença. Outros 3.023 casos suspeitos ainda estão sob investigação.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto