Publicado 05 de Maio de 2015 - 17h36

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Nove em cada dez pessoas mortas pela dengue neste ano no Estado de São Paulo têm acima de 60 anos, segundo levantamento realizado com 130 dos 169 óbitos registrados neste ano. Na região a situação é semelhante. Das sete mortes confirmadas pela dengue em Campinas, quatro são idosos e possuem idades entre 71 a 97 anos. A primeira morte pela doença em Americana neste ano vitimou um idoso de 91 anos. Em Sumaré foram três mortes, mas as idades não foram divulgadas.

O número de mortes pela dengue no território paulista é o maior desde 1990, quando começou a ser realizado balanço oficial pelo Ministério da Saúde. O recorde anterior pertencia ao ano de 2010, quando 141 pessoas perderam a vida por complicações relacionadas à dengue. Os 169 óbitos confirmados em São Paulo neste ano já são quase cinco vezes maiores do que o ano passado. No mesmo período de 2014 foram 35 óbitos no Estado.

No País, 229 pessoas morreram pela dengue neste ano, dos quais 186 estão concentradas na região Sudeste. Com incidência bem menor, o restante das mortes no Brasil está dividido nas regiões Centro-Oeste (21), Nordeste (10), Sul (9) e Norte (3). O número de casos notificados totalizam 746 mil, o que corresponde a um crescimento de 234% em relação ao mesmo período do ano passado.

Francisco Aoki, médico infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que vários causas deixam os idosos mais vulneráveis. Mas a principal delas é a demora para procurar atendimento médico, ao confundir os sintomas de dengue com problemas recorrentes.

"São vários fatores. Um dos mais importantes é a procura atrasada para fazer o acompanhamento, porque eles têm muitas dores e outras doenças e acabam não percebendo. Não há identificação imediata e ficam mais sujeitos. Fora isso tem outras doenças concomitantes", afirmou. Além de baixar as plaquetas e glóbulos brancos, a demora no tratamento diminui a imunidade e deixa o idoso mais suscetível a infecções.

Segundo Aoki, quando a doença é identificada precocemente, a chance de recuperação é a mesma de uma pessoa jovem, embora o tratamento tenha que ser individualizado. "Quando a identificação é precoce, é igual a qualquer indivíduo. Mas tem que ter todo o cuidado e avaliar cada caso. Não dá para dar soro na veia para quem tem insuficiência cardíaca, por exemplo", disse.

Apesar de toda e qualquer morte ser lamentada, o infectologista diz que levando em conta o número de casos confirmados, a incidência de morte pela doença pode ser considerada baixa. Para ele, se todos os pacientes procurassem o atendimento aos primeiros sintomas, os óbitos seriam evitados. "A dengue é considerada uma doença benigna, porque tem baixa letalidade, não leva ao óbito com facilidade. Muitas vezes tem relação com doenças concomitantes. Tem que disseminar ao máximo as informações, observar os sinais clínicos e procurar um serviço médico rapidamente", orientou.

Denúncia dengue

Bruno Bacchetti

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Fotos: Cesar

Abandonada há anos, um sobrado de alto padrão localizado na avenida Arlindo Joaquim de Lemos, no Proença, assusta moradores da região. O mato alto, entulho, lixo e uma piscina vazia que acumula água parada tornaram o local um cenário perfeito para a dengue. O imóvel fica em frente à centenária Casa Grande e Tulha, patrimônio histórico e arquitetônico da cidade. A reportagem do Correio já esteve no local há mais de um mês e alertou para a possibilidade da casa servir de criadouro para o mosquito da dengue, mas de lá para cá nada mudou e o cenário continua alarmante.

O jardineiro Leonildo Antonio da Silva, de 42 anos, trabalha há cerca de 25 anos na Casa Grande e Tulha e em outras residências do bairro e conhece bem o estado de calamidade do imóvel. "Está feia a coisa, o quintal está uma barbaridade. Pelo que sei essa casa foi vendida, mas está com problema na Justiça. Já tive dengue duas vezes e a maioria do pessoal aqui já pegou. Pode ser daí, porque está uma vergonha isso. Tem geladeira e fogão velho, a piscina com água parada", lamentou.

Silva tornou-se "guardião" da casa abandonada e já chegou até a fazer uma limpeza anos atrás, além de colocar um cadeado no portão para evitar que usuários de drogas invadam o local. "A situação estava ainda pior e chamei uma caçamba há uns meses para tirar o que tinha de lixo. Maconheiros estouraram o cadeado e entraram na casa, aí coloquei outro", contou.

Ao contrário do que afirmam os moradores, a Secretaria de Saúde da Prefeitura afirmou que um técnico da Vigilância em Saúde Sul (Visa Sul) esteve no local, mas não conseguiu localizar o proprietário. Diante das condições do imóvel, a casa entrou no cronograma para a Prefeitura entrar no local mediante liminar da Justiça, que é o último recurso utilizado pela administração. A estimativa é que técnicos da Prefeitura entrem na casa até o final do mês.

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