Publicado 06 de Maio de 2015 - 11h31

Por Agência Estado

Atores do grupo Os Fofos Encenam usam maquiagem blakcface na peça "A Mulher do Trem"

Divulgação

Atores do grupo Os Fofos Encenam usam maquiagem blakcface na peça "A Mulher do Trem"

Foto: Divulgação.

Atores do grupo Os Fofos Encenam usam maquiagem blakcface na peça "A Mulher do Trem"

Atores do grupo Os Fofos Encenam usam maquiagem blakcface na peça "A Mulher do Trem"

O Itaú Cultural recebe nesta quarta-feira, 6, ativistas do movimento negro e integrantes da companhia teatral Os Fofos Encenam para averiguar os caminhos da discussão que está marcada para terça-feira, 12, na sede da instituição.

Programada para ser apresentada no projeto Terça Tem Teatro, pelo qual o Itaú Cultural apresenta espetáculos grátis semanalmente, a peça A Mulher do Trem, encenada pelos Fofos, foi cancelada após integrantes do movimento negro se manifestarem intensamente nas redes sociais contra o uso da técnica de blackface - quando atores se maquiam de preto para interpretar personagens negros.

Segundo o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, as movimentações nas redes sociais começaram a ser observadas no sábado. No domingo, os Fofos foram chamados para uma conversa e, juntos, decidiram cancelar a apresentação da peça e dar lugar a um debate sobre as questões do movimento negro e da classe artística. “O nosso desejo, sem dúvida, é que a peça seja apresentada”, diz Saron ao Estado. “O debate vai gerar reflexão de todas as partes a respeito do fazer artístico e de outras temáticas. Estamos apostando que vai ser um dia de construção.”

Uma das porta-vozes do movimento negro neste imbróglio, a estudante de arquitetura Stephanie Ribeiro estará hoje na sede do Itaú Cultural, ao lado de outros ativistas. “Eles têm de escutar o que vamos falar”, diz. “Vamos ouvir as propostas do Itaú e também queremos fazer propostas. Espero que a conversa seja produtiva.”

Stephanie viu a divulgação da peça no Facebook e, após ver a imagem na qual atores aparecem pintados de preto, escreveu um comentário de protesto que viralizou. “Fiquei brava porque esse é um debate antigo. É uma prática que surgiu nos EUA e que não é mais aceita lá, porque o pensamento evoluiu.” Para ela, o blackface cria a sensação de que existe um modelo único de negro. “É essa ideia de ser alguém com boca grande, espalhafatoso, mal educado, com cabelo black.”

A militante confessa que não viu o espetáculo, mas diz que ficou ofendida apenas com o material de divulgação. “Vi um vídeo de 41 segundos no qual a personagem negra era humilhada. Não existe justificativa, foi chocante o que estava ali proposto”, atesta.

Integrante do grupo Os Fofos Encenam, Eduardo Reyes afirma que em nenhum momento a companhia teve a intenção de ofender o público. “Para nós, a máscara é uma tradição da linguagem do circo-teatro”, explica, lembrando que todos os atores da peça são maquiados de maneira exagerada. Após as manifestações nas redes sociais, o grupo entendeu que era melhor abrir para o debate. “Queremos que os dois lados se entendam e queremos saber como o uso da máscara afeta as pessoas”, diz. “Respeitamos as opiniões e estamos de coração aberto, de fato, para ouvir e repensar.”

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Agência Estado