Publicado 31 de Maio de 2015 - 5h30

[CREDTEXTO_3L]Bruno Bacchetti[/CREDTEXTO_3L][TEXTO]

[PROCEDENCIA]DA AGÊNCIA ANHANGUERA[/PROCEDENCIA]

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A crescente quantidade de pessoas que usam a bicicleta para lazer e meio de transporte trouxe um efeito colateral negativo na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O número de acidentes envolvendo veículos de duas rodas que resultaram em internação hospitalar vem crescendo ano a ano na região. Segundo registros do Datasus do Ministério da Saúde, em 2011 foram 124 ciclistas internados com traumas causados por acidente de trânsito. No ano seguinte este número saltou para 129 ocorrências, em 2013 foram 132 e no ano passado registros apontam para 146 internações de ciclistas. No entanto, a boa notícia fica por conta da queda no número de mortes. Em 2014 quatro ciclistas perderam a vida na região, no ano anterior foram cinco vítimas fatais (mesmo número de 2012) e ocorreram oito mortes em 2011.

Do total de traumas do ano passado, a grande maioria ocorreu com jovens de até 39 anos (74,6%), mas seis acidentes foram com ciclistas acima de 60 anos e 22 envolveram crianças de até nove anos de idade. Como não poderia deixar de ser, a maioria dos ciclistas hospitalizados no ano passado foi concentrado em Campinas, 61 ao todo. O alerta É que em três anos houve aumento de quase 50% nos acidentes com bicicleta na cidade, já que em 2011 foram 41 registros. Depois de Campinas, aparecem Hortolândia (16), Itatiba (15), Paulínia (12) e Sumaré (10). Somente quatro cidades da região não tiveram casos de trauma com ciclistas no ano passado: Engenheiro Coelho, Pedreira, Santa Bárbara d'Oeste e Vinhedo.

Para Creso de Franco Peixoto, especialista em Transportes e professor da Unicamp, são vários os motivos que podem explicar o aumento no número de acidentes envolvendo ciclistas. Entre as principais causas estão a pouca quantidade de ciclovias nas cidades da região, baixo investimento em espaços para as bicicletas; falta de conscientização de motoristas e dos próprios ciclistas e fiscalização precária.

“Os acidentes com ciclistas ocorrem por uma série de fatores. O motorista tem uma tendência de ficar perto do ciclista e acaba resvalando na bicicleta com o retrovisor, ou qualquer desequilíbrio há o choque. O risco de vida e ferimentos aumenta muito. É preciso mudar a legislação para permitir ciclovia nas calçadas, é urgente maior fiscalização para evitar a imprudência dos motoristas”, explicou Peixoto, sem esquecer da imprudência cometida por alguns ciclistas. “As bicicletas que andam entre os carros são uma flagrante exposição indevida do ciclista que ele mesmo se coloca”, completa.

Peixoto acredita que é necessário mudança de postura de motoristas, ciclistas e pedestres, para que haja a divisão dos espaços públicos, como já ocorre em outros países. “É necessário já (aprender a dividir os espaços). Na Oxford Street, em Londres, por exemplo, nem ciclovia tem mais. As bicicletas circulam entre os carros sem problemas e com respeito. Em Frankfurt e na Suíça bicicleta anda na calçada. Onde tem ciclovia encontramos pedestres, mas o contrário não pode, a lei não permite”.

O dirigente sindical e ciclista Eduardo Gomez, de 47 anos, utiliza a bicicleta como meio de transporte há mais de dez anos. Ele concorda que falta respeito entre o carro e a bike para dividir o espaço, e diz que o problema poderia ser minimizado se houvessem mais espaços exclusivos para os ciclistas. “Andar no meio do trânsito é complicado, se o ciclista não tem experiência coloca a vida em risco. Às vezes também acontecem imprudências do ciclista, alguns andam na contramão e sem equipamento de segurança. Mas a falta de ciclovia é óbvia, se tivesse seria um lugar mais adequado”, afirma o ciclista.

Gomez já sofreu acidente pedalando e diz que por questão de segurança evita as vias mais movimentadas, optando por rotas alternativas em ruas com menor fluxo de veículos. “Em 2002 tive uma fratura no braço esquerdo. Estava descendo da Aquidabã para a Francisco Glicério, tinha chovido e a bike deslizou. Fui para o chão e fiquei de seis a oito meses afastado. Tem vários colegas que sempre se machucam. Aconselho a usar ruas alternativas, que chamamos de ciclo rotas, para fugir do trânsito”, acrescenta.

Além dos acidentes, outra preocupação de Gomez é com a onda de assaltos a ciclistas. No último final de semana, seis foram assaltados na trilha da Bocaina, em Sousas, inclusive sendo feito reféns. “Assalto é constante, estão adotando essa nova modalidade. O bandido sabe que quando vê um ciclista paramentado a bicicleta vai custar pelo menos R$ 2 mil ou R$ 3 mil. Nas trilhas rurais estão fazendo emboscadas e no último domingo seis foram assaltados em Joaquim Egídio”, relata.