Publicado 31 de Maio de 2015 - 5h30

Em momentos de crise, a tendência é de parada dos negócios. Entretanto, os mais visionários encontram oportunidades e em economias dinâmicas como a Região Metropolitana de Campinas (RMC) sempre há espaço para quem quer empreender. A cidade de Campinas é a 11 do País em quantidade de empresas ativas e fica atrás apenas de capitais. O ranking extraído do Empresômetro, criado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), aponta que o município tem 142.254 empresas ativas.

Embora existam dificuldades na economia, neste ano houve um avanço de 3,46% na quantidade de empresas em relação ao saldo de 2014, conforme informações do Empresômetro. O incremento foi de 4.754 empresas. Há empresas sendo abertas de diversos setores de alimentação a tecnologia da informação. Os novos empreendedores afirmam que Campinas oferece condições favoráveis ao desenvolvimento de empresas e tem um público com alto poder de consumo.

Recente pesquisa da consultoria IPC Marketing colocou a cidade entre os dez maiores potenciais de consumo do País. A projeção é de que R$ 31,09 bilhões sejam gastos pelos campineiros com itens que vão desde a manutenção do lar até despesas com viagens. Campinas ficou atrás apenas de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. O maior gasto dos campineiros será com a manutenção do lar, cujo montante chegará a R$ 8,25 bilhões. A alimentação no domicílio é o segundo item que mais vai pesar no bolso dos campineiros. Os gastos devem chegar a R$ 3,01 bilhões neste ano.

Números tão vistosos animam os empreendedores. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), João Doniseti Mantoan, afirma que grandes centros econômicos como a Região Metropolitana de Campinas (RMC) são fomentadores de negócios. “A região tem um potencial para manter negócios e também gerar novas empresas. A região tem muitas vantagens como mão de obra qualificada e infraestrutura privilegiada”, pontua. O especialista ressalta que outro pilar é concentrar centros de desenvolvimento e pesquisa. “Inovação é importante para o crescimento de uma região”, frisa.

Mantoan salienta que para quem pensa em empreender é fundamental fazer um planejamento estratégico antes de abrir as portas. “Não adianta o empresário se entusiasmar apenas com o tamanho do mercado e as possibilidades de negócios. Ele deve conhecer bem o mercado, os concorrentes, o público e ter recursos para capital de giro”, diz. O professor da FGV afirma que o brasileiro está mais consciente sobre a importância do empreendedorismo.

Aposta

As amigas Marianne Hartung Vidoto e Alessandra Tortelli Ribeiro tinham muita vontade de ter lojas de roupas de crianças. “Um dia nós estávamos conversando e descobrimos que tínhamos o mesmo desejo. Desde então, começamos a pensar em abrir uma loja juntas e o nosso sonho se concretizou neste ano”, conta Marianne. Ela diz que em três dias conseguiu abrir a empresa. “Tem a burocracia normal, mas foi rápido”, afirma.

Marianne comenta que a empresa trabalha com roupas importadas e marcas descoladas nacionais. “Queríamos oferecer roupas com estilo para crianças e que não encontrávamos no mercado nacional. A Kids Du Monde vende peças para crianças de zero a 12 anos”, afirma. Ela diz que as duas estão aprendendo a lidar com o mundo dos negócios.

O empresário, Rodolfo Camargo Marchilli, aproveitou as receitas de doces da família para começar um novo negócio. “Meus avós tiveram restaurante em Campinas, entre eles a Cantina Ritorno. Aproveitei o conhecimento de família, com pratos que eu aprendi nos Estados Unidos, para criar os iceburguers”, conta. A ideia surgiu há dois anos, mas a empresa começou a operar em 2015. “Precisei fazer teste até chegar aos melhores produtos. Os sanduíches com sorvete e outros ingredientes estão fazendo muito sucesso”, comemora.

Ele diz que abrir a empresa não foi difícil. “Há sempre muita burocracia no Brasil. Entretanto, não tive dificuldade. A abertura foi realizada neste ano”, comenta. Marchilli afirma que o cardápio atual tem cinco sabores, mas há outros 20 que serão lançados nos próximos meses. “Atualmente, comercializamos os doces para festas, casamentos e recepções”, aponta.

O empreendedor já pensa em ampliar o negócio. “A produção atual é de 2 mil iceburguers por mês. Estou planejando a instalação de uma fábrica, cuja capacidade ficará entre 100 mil e 200 mil unidades”, diz. Marchilli comenta que o investimento inicial na empresa foi de R$ 70 mil.

Os empresários Caê Castelli, Fellipe Garcia e Guilherme Alves iniciaram há um ano a operação de uma pista de kart elétrico, que fica no Parque D. Pedro Shopping. “Nós três somos egressos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) na área de engenharia. Durante a faculdade, desenvolvemos uma tecnologia que servia muito bem para a área de entretenimento. Assim nasceu a KartFly, que é a primeira pista de karts elétricos da América Latina”, diz Castelli.

Ele conta que a média de atendimento de público é de 10 mil pessoas por mês. “Estamos planejando uma segunda pista na cidade de São Paulo”, antecipa. Os empreendedores investiram R$ 1 milhão para começar o negócio. “Nós empregamos 20 pessoas. Além de dar voltas com o kart no circuito, o público também pode fazer aulas”, detalha. O empreendedor diz que é preciso mais do que vontade para abrir uma empresa no Brasil. “Ainda é muito burocrático e também é caro manter uma empresa no País”, observa.