Publicado 31 de Maio de 2015 - 5h30

De Brasília

A sexta Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis, divulgada semana passada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, mostra que, apesar da forte seca registrada no início do ano passado, a produção brasileira de etanol cresceu 4% em 2014, em comparação a 2013, atingindo o recorde de 28,6 bilhões de litros. O recorde anterior foi observado em 2010 (27,9 bilhões de litros).

De acordo com a EPE, essa foi a terceira alta consecutiva na produção do etanol no País. Em contrapartida, a safra 2014/2015 teve queda de 3,7% na quantidade de cana processada.

A EPE informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que contribuíram para a expansão da produção de etanol em 2014 o baixo preço internacional do açúcar, que direcionou a maior parte da produção de cana para a fabricação do biocombustível; a liberação de recursos públicos para o setor sucroenergético; além das expectativas de aumento do percentual de etanol anidro na gasolina C (de 25% para 27%, a partir de março de 2015) e do retorno da tributação sobre a gasolina.

Um aspecto negativo, segundo o estudo, foi o aumento da dívida do setor sucroenergético, que resultou no fechamento de 13 usinas. A EPE indicou que a queda do preço do açúcar acabou sendo compensada pelo aumento da venda de energia elétrica. O ano passado marcou a ampliação de 17% na participação das usinas de biomassa no cenário energético brasileiro. A expectativa da EPE é positiva para a safra 2015/2016, estimando produção de etanol em torno de 29,2 bilhões de litros.

Em relação ao biodiesel, o estudo da EPE indica aumento de 16,7% no consumo em 2014 em comparação ao ano anterior, somando 3,4 bilhões de litros. Desde 2005, quando foi implantado o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), até dezembro de 2014, foram produzidos e consumidos no país 17 bilhões de litros de biodiesel. Com esse resultado, o Brasil passou a ocupar a segunda classificação no ranking mundial de produção e consumo de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos. Entre as regiões brasileiras, o Centro-Oeste e o Sul concentraram 83% do biodiesel produzido e consumido no País, no ano passado.

Outro dado apontado pela Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis da EPE se refere ao gás carbônico que deixou de ser emitido com a produção de etanol e biodiesel, que totalizou 67,8 milhões de toneladas em 2014.

O estudo evidencia que, pelos dados analisados, “há espaço para maior participação das usinas térmicas a biomassa na matriz energética nacional”. A EPE acrescenta que “o estresse hídrico observado nos últimos meses não provocou restrição do consumo elétrico, devido, em grande parte, à maior integração do Sistema Interligado Nacional e à diversificação das fontes energéticas disponíveis”. (Agência Brasil)

Agropecuária mostrou sua força

A agropecuária foi o único setor sob a ótica da produção com alta no primeiro trimestre deste ano na comparação com os últimos três meses de 2014, sob influência de uma safra relevante da soja, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento do setor foi de 4,7%, enquanto a indústria teve queda de 0,3% no mesmo período, enquanto serviços recuou 0,7%. "A soja teve uma safra relevante no primeiro trimestre deste ano, com ganho de produtividade e uma boa expectativa para este ano", afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis

De acordo com a coordenadora do IBGE, os produtos que devem ter influência positiva no setor de agropecuária neste ano são a soja, arroz, mandioca e fumo, que devem provocar aumento de produção da lavoura.

“O grande destaque é a soja porque, além de ser a lavoura com maior peso na economia brasileira, tem expectativa de crescimento da quantidade produzida em 10,6% e na área plantada (4,7%), o que se traduz em aumento de produtividade”.

A colheita da soja é concentrada no primeiro e segundo trimestres do ano. Rebeca destacou ainda que o setor de agropecuária puxou para cima o resultado do PIB no primeiro trimestre do ano na comparação anual, com aumento de 4%.

Na outra ponta, o milho deve ter queda de 3,1% na quantidade produzida e retração de 1,9% na área plantada. (AE)