Publicado 09 de Maio de 2015 - 5h30

O cenário econômico retraído afeta o turismo de negócios, que sofre com a redução do fluxo de pessoas. Mas em Campinas, um dos principais destinos dos viajantes de negócios no Brasil, o setor esboça uma recuperação.

Estudo realizado pelo site Skyscanner, especializado em pesquisa online de passagens aéreas, hospedagem e aluguel de carros, aponta que as buscas pela cidade cresceram 75% entre os meses de março e abril deste ano em relação a igual período do ano passado. O município ocupa o segundo lugar no ranking.

Ainda que os números sejam otimistas, o setor hoteleiro da região registra resultados neste ano piores do que em 2013 e 2014. A taxa de ocupação média variou no primeiro trimestre entre 55% e 60% - o patamar era de 68% a 74% há dois anos.

Os dois primeiros meses de 2015 foram ruins, especialmente janeiro. Entretanto, a taxa melhorou nos meses de março e abril. De acordo com o levantamento da empresa, em primeiro lugar ficou Fernando de Noronha, com crescimento de 107% de buscas. No terceiro posto, ficou Navegantes (Santa Catarina) com 48%.

O site Skyscanner informou que foram analisadas milhões de buscas realizadas na página e em aplicativos no período de 5 de março e 20 de abril.

A gerente de Comunicação da Skyscanner, Tahiana Rodrigues, afirmou que a ferramenta do site não permite aferir o perfil de público, mas a empresa acredita que a alta do dólar teve influência na elevação das buscas por destinos nacionais.

“Por sermos uma ferramenta gratuita de busca e comparação de viagens, que não realiza a transação final, nós não temos acesso ao perfil dos viajantes que estão fazendo buscas no nosso site ou nos aplicativos”, disse.

Ela comentou que pesquisa realizada por outra consultoria mostrou que 72% das pessoas que responderam o estudo planejam viajar mais de férias neste ano.

“Em uma pesquisa realizada em parceria com o Conectaí, braço web do Ibope, com mil internautas, 72% responderam que planejam viajar mais de férias em 2015 do que em 2014 e 71% disseram estar em busca de destinos nacionais”, destacou.

Tahiana disse que neste ano o calendário de feriados no Brasil está muito mais atrativo quando comparado aos últimos dois anos. “Temos cerca de dez feriados prolongados no País, o que incentiva a busca e a realização de viagens mais curtas e para lugares não tão distantes. Além disso, por conta da alta do dólar, os viajantes brasileiros estão pensando em outras alternativas e isso tem favorecido diretamente o turismo doméstico. Também por causa da alta do dólar, as companhias aéreas e agências de viagens têm feito inúmeras promoções para manter o mercado aquecido, o que tem mantido as buscas por passagens promocionais em alta”, afirmou.

Ela comentou que houve um aumento no volume de pesquisas por viagens em relação ao ano passado. “Em comparação com 2014, o volume nas pesquisas registrou um aumento expressivo. Apenas em março de 2015, a busca por voos domésticos foi cerca de 34% a mais, quando comparado ao mesmo período no ano anterior”.

Mercado

O coordenador de Hotelaria do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, Douglas Marcondes, afirmou que o mercado apresentou uma retração de ocupação em relação a 2013.

“A base de comparação é com 2013 porque o ano passado foi atípico. Como era ano de Copa do Mundo, os eventos e viagens de negócios foram antecipados para os primeiros meses do ano”, comentou.

Ele disse que o mês de janeiro deste ano foi um dos piores dos últimos 15 anos. “Mas houve um aumento gradativo em fevereiro e março. Em abril, ficou estável”, ressaltou.

O diretor disse que no primeiro trimestre houve recuo em relação ao ano de 2013. “Neste ano, queremos manter o mesmo nível de negócios de 2014. Com a economia crescendo pouco, o turismo acaba sendo impactado”, comentou.

Ele observou que a taxa média de ocupação nos primeiros três meses deste ano variou de 55% a 60%. “Nesta época do ano, o normal é variar de 68% a 74%”, explicou. Marcondes também ocupa um cargo como executivo no grupo Vitória Hotéis. Ele disse que a taxa de ocupação do grupo ficou acima dos 60% no primeiro trimestre.