Publicado 09 de Maio de 2015 - 5h30

Brasil e Argentina deverão renovar o acordo automotivo entre os dois países, que vence no dia 30 de junho. A expectativa é de que o entendimento seja mantido nos termos atuais e que a discussão sobre flexibilizar o conteúdo nacional na fabricação de automóveis comercializados dentro do bloco fique para um segundo momento.Ontem, depois de reunião entre ministros e chanceleres brasileiros e argentinos, o titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse que houve uma “convergência” em relação à prorrogação do acordo automotivo, que poderá ser renovado por prazo superior a um ano.“Há sim uma convergência em relação à prorrogação do nosso acordo automotivo, que é um acordo extremamente equilibrado. Ao que tudo indica nos mesmos termos”, disse.Participaram da reunião ainda os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e da Argentina, Héctor Timerman, e o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof. “Temos extrema convergência em relação ao comércio bilateral e à situação do Mercosul”, disse Kicillof.Pelos termos acordados, 60% dos componentes usados nos veículos têm de ser produzidos dentro do Mercosul para que o automóvel possa ser exportado a países do bloco sem o pagamento de tarifa de importação.A Argentina, no entanto, tem dificuldades de cumprir a regra e defende a flexibilização do limite. “Há uma questão relacionada à revisão das regras de origem, mas isso não se coloca agora. Até porque o Brasil tem o regime automotivo Inovar-Auto até o final de 2017”, completou Kicillof.O argumento brasileiro para os ministros do país vizinho é o de que, também dentro do Brasil, as empresas têm de cumprir regras de conteúdo local, o que inviabilizaria a flexibilização da norma para os argentinos neste momento.De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, neste ano, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 15,6%, atingindo US$ 4,085 bilhões. O tombo das importações vindas do país vizinho, porém, foi ainda maior: queda de 20%, para US$ 3,64 bilhões.União Europeia

Monteiro disse ainda que Brasil e Argentina chegaram a uma posição convergente em relação ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia. O ministro, no entanto, não deu detalhes do entendimento. “Colocaremos em junho a posição de que queremos fazer a troca de oferta e que já temos uma posição harmonizada intrabloco”, afirmou.Segundo o ministro, os dois países querem, com isso, instar a União Europeia a também fazer sua oferta para um acordo entre os blocos. “Que não fique nem de longe a impressão de que o Mercosul não tem uma posição harmonizada, convergente e firme em relação ao acordo”, completou.Após o encontro, os ministros argentinos agradeceram a “solidariedade” brasileira em relação às negociações da dívida da Argentina junto a fundos abutres e disseram apoiar a reforma em organismos internacionais, pauta defendida também pelo Brasil. (Da Agência Estado)