Publicado 07 de Maio de 2015 - 5h30

A produção industrial caiu 3,5% em março em relação a igual mês do ano passado, resultado que selou um recorde histórico. É a 13 queda consecutiva nesta comparação, uma sequência negativa inédita na série iniciada em janeiro de 2003, informou ontem 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O quadro supera até mesmo o período da crise internacional, quando houve 12 recuos seguidos na atividade. Com isso, a indústria brasileira fechou o primeiro trimestre com o pior desempenho para o período desde 2009. Na comparação com fevereiro, a produção diminuiu 0,8%, o pior resultado para meses de março desde 2006 na comparação com meses imediatamente anteriores. “Desde setembro de 2014, a trajetória é muito clara em termos de redução da produção da indústria. Todos os fatores permanecem, desde o baixo nível de confiança do empresário, do consumidor, até a evolução mais lenta da demanda doméstica, passando pelo cenário adverso do mercado internacional”, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Neste início de ano, a mudança na política de desoneração da folha de pagamento também interferiu na confiança e, consequentemente, na atividade, avaliou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato. Com um nível de estoques acima do habitual e sem perspectivas de recuperação no curto prazo, ele prevê que as demissões no setor continuem. “A indústria, que já demitiu, vai continuar a demitir e isso afeta a confiança do consumidor, que se sente desmotivado a consumir”, disse. A produção industrial deve encerrar 2015 com a quarta retração anual seguida. A queda na produção atingiu todas as categorias, com destaque para bens de capital e bens de consumo duráveis, ambos puxados pela atividade de veículos, que registrou a sexta queda seguida na comparação com o mês imediatamente anterior. No período, o setor acumulou perda de 19,4%. “O que observamos no último ano e no início de 2015 é que a indústria recua calcada neste setor de veículos automotores, não só devido aos automóveis, mas diversos itens dentro da atividade”, afirmou Macedo, do IBGE. Alheia à situação do restante da indústria, o setor extrativo foi um dos poucos a exibir resultados positivos. A produção cresceu 8,9% em março ante igual mês do ano passado e 7,3% nos últimos 12 meses, puxada por minério de ferro e petróleo. (Agência Estado)