Publicado 07 de Maio de 2015 - 5h30

A Robert Bosch vai investir neste ano R$ 100 milhões na América Latina - e a maior parte dessa cifra virá para fábricas de Campinas e Curitiba. Em 2014, o grupo faturou R$ 4,9 bilhões com os negócios no Cone Sul e na América Central, queda de 4% em relação a 2013.

O Brasil foi responsável por R$ 4,2 bilhões desse total, e teve forte impacto sobre os resultados do ano com o recuo das vendas para o setor automobilístico. O cenário para 2015 é um pouco melhor com crescimento projetado de 2% a 4%. E para o futuro, os planos são ambiciosos: dobrar o faturamento até 2020.

Para atingir essa meta, a empresa segue apostando nos produtos para as montadoras e no mercado de reposição, mas quer aumentar a participação nas receitas da subsidiária na América Latina de outras linhas de produtos, como bens de consumo, soluções industriais, prédios inteligentes, embalagens e sistemas de gerenciamento de energia. Além dessas áreas, inovação, internet das coisas, novas tecnologias, agronegócios, eficiência energética e setor farmacêutico também estão na agenda. Pelo menos 200 projetos estão sendo elaborados pela multinacional para serem desenvolvidos na America Latina nos próximos anos.

O presidente da Robert Bosch América Latina, Besaliel Botelho, afirmou que a região tem um grande potencial de crescimento para os próximos anos. “Queremos ampliar a participação na área automobilística, mas também fortalecer outros negócios”.

Ele disse que, em termos mundiais, o grupo busca equilibrar a participação das vendas dos negócios do setor automobilístico dos atuais 68% para 50%. “Isso não significa deixar de lado esse segmento - ao contrário, queremos continuar crescendo nele. Mas nosso portfólio de produtos é grande e há espaço para ampliar as vendas em outras áreas em países como Peru e Chile e na América Central - excetuando o México, que não está na área da Bosch América Latina”.

Investimentos

Botelho afirmou que a empresa pretende investir R$ 100 milhões nas operações na América Latina neste ano. "Nos últimos dez anos, a Bosch investiu mais de R$ 2,2 bilhões na região. A maior parte no Brasil, onde temos fábricas e um centro de desenvolvimento em Campinas. Os R$ 100 milhões serão para pesquisa e desenvolvimento, e, principalmente, para modernização de linhas de produção”.

Botelho salientou que há uma “grande decepção” do setor industrial com o quadro econômico brasileiro, principalmente no setor automobilístico. Ele também citou que a situação na Argentina afeta a região. “Nos negócios do grupo no mundo, o automotivo cresceu 8,9%. No Brasil, teve uma queda de 5,5%, incluindo as exportações. O cenário é lamentável”, disse.

Embora as exportações no ano passado tenham crescido 22%, Botelho lembrou que grande volume das vendas para outros países são operações do tipo “intercompany” (entre unidades do próprio grupo Bosch). “Nosso forte nas exportações são os produtos de diesel que fabricamos em Curitiba. Nosso objetivo neste ano é elevar as exportações comerciais”.

Ele salientou que a recuperação de 2% a 4% projetada para este ano tem uma discrepância porque os números vão depender da retomada da economia e do reflexo das medidas de ajuste fiscal do governo. “No curto prazo, o ajuste vai trazer aumento de custos e dificuldades enormes de vendas. Mas os efeitos serão importantes para o crescimento no futuro”.

Para atingir a meta de voltar a crescer neste ano, Botelho afirmou que a Bosch também está fazendo ajustes nos processos produtivos. “Buscamos instalar linhas mais automatizadas. Temos uma produção muito verticalizada e nossa maior preocupação hoje é conseguir manter aqui os investimentos já realizados”.

O executivo afirmou que outros negócios crescem dentro do guarda-chuva do grupo no Brasil. Um deles é a área de termotecnologia por meio da Heliotek. “No ano passado, a empresa, que fabrica sistemas solares e bombas térmicas, cresceu 20%”.

Botelho citou ainda possibilidades de novos negócios com a aquisição da ZF Friedrichshafen AG, que no Brasil mantém duas fábricas da ZF Sistemas de Direção - em Sorocaba e Betim.