Publicado 08 de Maio de 2015 - 19h05

Eu, Mamãe e os Meninos (Telecine Cult, 22h, 14 anos), de Guillaume Galliene (2013), ganhou cinco César (o Oscar francês), incluindo filme, direção e ator (o próprio diretor); os dois últimos merecidíssimos. Ele faz dois papéis: filho e mãe — desafio dificílimo, que lembra um pouco Minha Mãe é uma Peça (ótimo trabalho de Paulo Gustavo no filme de André Pellenz, 2013). E usa a linguagem teatral, pois o filme encena uma peça, mas passa bem longe do teatro filmado. Veja, portanto, o esforço do diretor, roteirista e ator (pode-se até criticá-lo pelo excesso de atribuições) de não apenas seduzir o público com esquetes bobinhas (que ficam melhor em programas humorísticos de TV), mas de, antes de tudo, fazer cinema. Também se valoriza na mistura de comédia com pitadas dramáticas que resulta num casamento quase perfeito, pois o protagonista foi criado pela mãe como homossexual e todo mundo, a começar dos irmãos, o tratam como tal. Não se trata de obra-prima, nada disso, mas de um cinema de qualidade que respeita a inteligência do espectador.