Publicado 06 de Maio de 2015 - 19h05

[CR_TXT_3LINH]João Nunes[/CR_TXT_3LINH]

[CR_TXT_PROCE]ESPECIAL PARA O CORREIO[/CR_TXT_PROCE]

O Exótico Hotel Marigold 2 (The Second Best Exotic Marigold Hotel, Reino Unido, EUA) reúne a mesma equipe do primeiro (de 2012): o diretor John Madden, passando pelo roteirista Ol Parker e o compositor da trilha Thomas Newman e, claro, o elenco — desta vez acrescido de algumas participações especiais, como a de Richard Gere.

Porém, se no primeiro tínhamos a novidade, uma trama simpática — além do elenco ótimo — e o olhar generoso em relação à velhice, no segundo restaram apenas variantes da mesma história, só que requentada e desprovida de sabor.

Há um problema estrutural do roteiro nada simples de resolver que consiste em contar paralelamente diversas histórias e uni-las numa única narrativa. Nem sempre funciona; aqui, infelizmente, não funcionou.

Por que infelizmente? Porque tinha tudo para dar certo — mesmo com a ineficiência da trama (grupo de velhinhos britânicos excursiona para a Índia e acaba ficando por lá). Ocorre que os problemas deles não seguram uma nova rodada de experiências. São pequenas dúvidas aqui e ali, indecisões, dramaturgia sem força e uma narrativa que não caminha.

Situemos, pois. Sonny (um atropelado e superficial Dev Patel), o dono do hotel, quer expandir os negócios às vésperas do casamento com Sunaina (Tina Desai). Mas aí reaparece um amigo que se insinua para a namorada dele e resolve comprar a mesma casa que ele pensava para construir o novo hotel.

Enquanto isso, passa diante de nós o elenco de bons atores fazendo quase nada. Evelyn e Douglas (Judi Dench e Bill Nighy) não sabem o que querem exatamente; Norman e Carol (Ronald Pickup e Diana Hardcastle) negociam cláusulas de um relacionamento exclusivo; Madge (Celia Imrie) tem dois pretendentes, mas está indecisa sobre o qual escolher; e Muriel (Maggie Smith) virou espécie de guru de Sonny.

Richard Gere, o novo personagem, entra de gaiato no navio vivendo Guy Chambers, suposto escritor que, para tentar criar tensões, logo se engraça pela mãe de Sonny. Isto é tudo. Como transformar esse fio dramático num bom roteiro, eis o problema do filme.

Na verdade, pouca coisa acontece. Estamos no terreno da narrativa simples dos fatos — que não são significativos — e um monte de bons atores meio perdidos na Índia. Como as grandes Judi Dench e Maggie Smith. Temos uma e outra superficial cena de ciúmes de Sonny, Evelyn tentando encontrar um caminho, Guy Chambers deslocado, Muriel sem muita serventia.

Exotismo

Tudo o que acontece de fato é o casamento do proprietário do hotel. E aí, dá-lhe exotismo nos rituais da cerimônia, música indiana globalizada com direito a dancinhas — Dev Patel está se especializando em filmes que terminam com dancinhas —, sem falar do olhar estrangeiro sobre o país: um táxi quase atropela um deles, algumas corrupções entranhadas na cultura do povo indiano e vistas ligeiras sobre a paisagem.

O Exótico Hotel Marigold 2 só aproveita bem o título — bom achado. No mais, ficamos com os atores e com a proposta de falar sobre a velhice sem preconceitos. E velho, aqui, nada tem de pejorativo. O politicamente correto foi quem demonizou a palavra.