Publicado 05 de Maio de 2015 - 19h05

A prévia, em outubro passado, já deu uma boa ideia do que esperar da produção final de Perch - Uma Celebração de Voos e Quedas, espetáculo multimídia que será encenado e transmitido simultaneamente em três países com atores no teto de edifícios e pelas ruas e praças interagindo com artistas dos outros continentes. A produção artística e performática, idealizada pelo ator e diretor Alan Richardson, do coletivo Conflux, de Glasgow, Escócia, é desenvolvido em conjunto por seu grupo, pelo Legs on the Wall, de Sydney, da Austrália e pelo Lume Teatro, núcleo de pesquisas cênicas de Campinas.

Os trabalhos começaram em 2012, em Glasgow, continuaram no ano passado com uma segunda etapa em Sydney e o espetáculo-piloto apresentado no Brasil, em outubro passado, com a supervisão do Lume Teatro, dos dois diretores internacionais e de grupos parceiros. O grand finale ocorre em julho, com apresentações dias 19 e 20, no Largo do Rosário, fechando a programação comemorativa do aniversário de Campinas, que tem início dia 14. “Faltam 70 dias para o início da imersão (as oficinas preparatórias começam em 7 de julho). Estamos em contagem regressiva, acertando todos os detalhes" , explica Cynthia Margareth, produtora do Lume.

Além de ser incorporado à programação de aniversário dos 240 anos de Campinas, Perch (que em inglês quer dizer poleiro) já tem acertada a participação das orquestras Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) e Sinfônica da Unicamp (OSU), as duas mais importantes da cidade. “A regência será do maestro-titular da OSMC, Victor Hugo Toro, com assistência da maestrina da OSU, Cinthia Alireti”, adianta Cynthia. Outra novidade é que, este mês, o compositor escocês Stephen Deazley, autor da trilha original do espetáculo, virá a Campinas para se reunir com os maestros e músicos e acompanhar os primeiros ensaios musicais. “O Stephen já enviou as partituras, que estão sendo estudadas pelos maestros e músicos e vem agora para afinar a parte musical”, diz a produtora.

Em março, o ator e diretor do Lume, Ricardo Puccetti, passou duas semanas em Glasgow acertando detalhes do roteiro, comum aos três países, apenas com atualizações culturais, e iniciando os ensaios com o elenco escocês. “Eu e o Patrick (Nolan, diretor do Legs) somos os diretores-gerais. Fui para Glasgow finalizar roteiro, acertar detalhes de figurinos, luz, números aéreos, orquestras. No final de junho, passo mais duas semanas lá, ensaiando o elenco. Volto para assumir as oficinas e ensaios em Campinas a partir de 7 de julho. Imersão total no projeto este ano”, conta Puccetti.

“A produção não pára. Já tivemos encontros com alguns participantes que têm papéis de maior destaque e estamos montando a parte de estrutura da praça, conversando com síndicos (dos edifícios), verificando os espaços. O roteiro segue a linha do que foi feito no piloto em outubro, mas com algumas alterações. A ideia é o espetáculo ser menos linear, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, como um carrossel. Teremos música, dança, números de solo, aéreos, acrobacias, cenas e muitas projeções nos prédios. Além da transmissão ao vivo dos três países, vamos projetar nos prédios ações realizadas em solo, como uma forma de ampliar a visibilidade”, explica o diretor.

Confirmação

Segundo Cynthia, os atores e performers que participaram do espetáculo-piloto em outubro têm até meados deste mês para confirmar a presença em Perch. “As férias foram alteradas em função da Copa do Mundo, então estudantes que vieram em outubro talvez não consigam agora. Receberemos as confirmações até meados de maio e depois abriremos novas vagas”, informa. A meta é manter basicamente o mesmo número de participantes de outubro — 70 atores em números solo e 20 em aéreos, além dos músicos das duas orquestras. “Só com os músicos, o total de participantes mais que dobra”, diz Cynthia. A equipe de apoio também cresceu. No ano passado, cerca de 20 pessoas atuaram nos bastidores, entre técnicos e produção. Este ano, a produção conta com 55 profissionais.

A apresentação ocorre apenas em julho, mas os diretores, atores do Lume Teatro e equipe de produção já estão a todo vapor. Na manhã do último dia 30, uma quarta-feira, um grupo esteve no Largo do Rosário definindo alguns detalhes da infraestrutura. “A expectativa é de termos um grande público, como foi em outubro, então precisamos encontrar alternativas para facilitar a visibilidade, além das projeções nos prédios. Os números de aéreos são mais tranquilos nesse sentido, porque ocorrem no alto de árvores, prédios ou andaimes. Mas estamos pensando também em utilizar marquises de prédios e instalar palcos elevados para algumas cenas”, explica o diretor Ricardo Puccetti.

“É importante estabelecer os locais de cada equipamento, a altura que terão, os esquemas de segurança, que precisam ser aprovados pelas autoridades competentes. Temos que pensar no palco para as orquestras, para as cenas. A montagem envolve muita gente, é preciso ficar atento aos mínimos detalhes”, acrescenta Puccetti.