Publicado 04 de Maio de 2015 - 19h05

Um festival com mais acertos do que erros. Sem dúvida, esse é o balanço geral que dá para fazer da 1 edição brasileira do Tomorrowland, encerrado anteontem na Fazenda Maeda, em Itu. Os maiores contratempos enfrentados pelos visitantes ocorreram fora da festa, tanto no caminho para chegar até o local, com gigantescos congestionamentos, quanto no péssimo estacionamento — uma área de terra batida, com acesso de um carro por vez, a 30 minutos de caminhada da entrada principal e custando a exorbitante quantia de R$ 200 por dia. Sem contar que, na saída, devido ao grande fluxo de veículos, muitos chegavam a esperar duas horas para deixar o local.

Os preços cobrados no Tomorrowland, como em todo festival, também foram alvo de reclamações. Afinal, uma pipoca, um pastel ou um churros custando R$ 14, ou um hot-dog com salsicha e molho por R$ 16,50 pesa no bolso de qualquer um que pretende passar ali, no mínimo, oito horas por dia. A cerveja saía por R$ 11 e, no sábado, os copos chegaram a acabar na maioria dos bares. “A gente tinha que ficar usando o mesmo, segurando ele vazio até comprar a próxima, ou ficaríamos sem”, disse a publicitária paulistana Viviane Santos, de 29 anos.

O tamanho da Arena Maeda também se mostrou um problema para alguns, entre eles o estudante de educação física Luis Augusto Estery, de 20 anos, saído de Carazinho, do Rio Grande do Sul, direto para Itu. “Tudo é tão longe, e tão legal, então a gente quer ver tudo. Ou seja, tem que andar e andar até não poder mais. A distância entre os palcos é de matar”, reclamou, dizendo que, no final, gastou nos três dias de festa cerca de R$ 3 mil. Dá para dizer, entretanto, que nem todos os palcos eram longe, já que, como haviam sete espaços, o único que ficava isolado era o Main Stage. Os demais estavam muito perto uns dos outros e dava para curtir tranquilamente.

Do resto, o clima de harmonia e festa durante todo o festival era impressionante, todos unidos pelo mesmo propósito, que era curtir a música. Nada de confusão, empurra-empurra, brigas. Raramente via-se gente caída ou bombeiros socorrendo alguém que estava passando mal. O organização informou uma média de 350 atendimentos diários, seja por quedas, consumo elevado de bebida ou drogas. Apesar da revista na entrada e do uso de cães farejadores, a reportagem viu diversas pessoas fumando maconha e até a compra e venda de drogas dentro do recinto, sem qualquer represália.

Pontualidade

A pontualidade dos shows foi algo marcante. Nenhum minuto de atraso, e a troca de DJs, mesmo no palco principal, era muito rápida, ao ponto de o som jamais parar. E a decoração futurista de toda a arena, com direito até a praça de cogumelos, era de encher os olhos. Tudo foi estrategicamente pensado para deixar o clima alucinógeno, uma pirotecnia como o Brasil ainda não tinha visto.

Além da grandiosidade do Main Stage — o magnífico Book of Wisdom —, o palco decorado com telões em formato de espelhos, estonteante, era o que mais atraía público. Um festival, definitivamente, para marcar não apenas a pacata Itu, mas o País de forma geral. “E que venham os próximos”, lembrou o brasiliense Marllius de Carvalho, de 27 anos.