Publicado 31 de Maio de 2015 - 5h30

Uma estrada de terra em Holambra, com flores no caminho, leva a uma minifloresta de mata atlântica, com mais de 2 mil árvores plantadas e que abriga 163 espécies diferentes de pássaros e 18 espécies de mamíferos, em uma área urbana. A iniciativa é o Projeto Fauna, dentro de uma fábrica de melhoramento de sementes. O projeto começou no início da década de 90 e foi incorporado pela Syngenta, após ela adquirir a área, há 15 anos.

São 20 hectares dentro da Estação Experimental da empresa, onde a fauna e a flora crescem livres e os animais voltaram a dominar o habitat natural. O local era usado antes pela fábrica para a pesquisa de melhoramento genético de sementes, mas era íngreme, e não refletia a realidade do agricultor. Com isso, a área deixaria de ser usada.

Foi aí que um grupo de funcionários teve a ideia de criar no local um ambiente de reflorestamento. “Eram pés de café, macieiras, e precisávamos no campo de polinização de abelhas. Então, começamos a plantar as árvores, para aumentar a biodiversidade e atrair animais”, disse o gestor de saúde, segurança e meio ambiente e idealizador do projeto, Carlos Alberto Caressato.

A ideia inicial era criar um corredor ecológico, que ligaria o bosque a outros do entorno. A alternativa é usada para que os animais possam andar em meios urbanos sem serem caçados ou sofrerem acidentes. Hoje, no entanto, a minifloresta tornou-se o habitat de animais. Há outras porções de verde de vizinhos, mas o local é o escolhido pelos animais devido à biodiversidade.

“Percebemos que a natureza não pode ser unilateral. Não pode ser somente eucalipto, ou outra árvore. Precisa do balanço, e a presença dos animais é a confirmação que o projeto deu certo”, disse Caressato. Todas as árvores têm identificação, com o ano de plantio e a espécie. As árvores — são mais de 50 espécies — foram todas plantadas. Cerca de 20 do total não são nativas e foram introduzidas no ambiente.

A área é monitorada com câmeras fotográficas colocadas eventualmente, para capturar imagens dos animais silvestres. “Temos onças vivendo por aqui. Não conseguimos a foto ou a filmagem, mas temos a pata dela. Isso é importante, o reconhecimento do animal como um lugar seguro, onde a caça foi banida”, disse o gestor. Entre os animais que caminham pela área — principalmente à noite — estão cachorros do mato, preás, capivaras, onças e pacas, que não habitavam mais a região e voltaram após a criação da minifloresta.

Árvores raras

As árvores plantadas na minifloresta são, muitas vezes, nativas da mata. Outras, no entanto, foram sementes trazidas de fora e introduzidas no meio. Entre elas, está uma árvore difícil de ser encontrada — a que produz o palmito jussara. Espécie de coqueiro, são ao menos seis árvores plantadas próximas ao lago da minifloresta.

Caressato conta que a árvore é difícil de ser encontrada porque o palmito é menor e mais doce, e por isso tem maior valor agregado. Além disso, após a árvore ser cortada, não brota novamente, assim como as que produzem o palmito açaí e pupunha. O conjunto foi plantado em 1997. Outra árvore rara é o eucalipto australiano, que durante o Inverno solta a casca e o tronco fica vermelho. Ele também foi plantado em 1997. A árvore coração de negro também está plantada na minifloresta. A madeira foi muito usada no início do século passado, na carroceria de carros. Ela é dura e roxa, e é uma árvore em extinção.