Publicado 31 de Maio de 2015 - 5h30

[CR_TXT_3LINH]Maria Teresa Costa[/CR_TXT_3LINH]

[CR_TXT_PROCE]DA AGÊNCIA ANHANGUERA[/CR_TXT_PROCE]

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A escassez de chuva no ano passado resultou na pior crise hídrica da história do Sistema Cantareira e contribuiu para piorar a qualidade da água nos rios das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), segundo o Relatório de Qualidade das Águas Superficiais do Estado de São Paulo, divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Dos 70 pontos monitorados, 63% pioraram no ano passado. As situações piores são as dos rios Piracicaba e Capivari a partir da captação de Campinas, além dos rios Atibaia, Piraí, Ribeirão dos Toledos e Pinheiros, que apresentam alto grau de poluição, com indicativos de contaminação por esgoto doméstico.

Para o especialista em recursos hídricos da Associação Água para Todos, José Henrique de Oliveira, a escassez de chuvas trouxe muitos prejuízos para a vida aquática e ao abastecimento das cidades. Segundo ele, com baixa vazão, os rios acabam tendo maior concentração de poluentes. “Tivemos grande mortandade de peixes em Piracicaba por causa da falta de oxigênio, a concentração de poluição levou Campinas a fazer racionamento da água durante dez dias porque, sem oxigênio, é impossível tratar a água, e além disso as empresas de saneamento tiveram significativos aumento de custos para o tratamento”, afirmou.

Segundo o relatório, o Rio Atibaia, principal manancial de abastecimento de Campinas, apresentou qualidade boa na maior parte da extensão com exceção na captação de Sumaré, em Paulínia, onde o rio apresentou leve piora, mas manteve a qualidade regular. Segundo a Cetesb, nesse trecho concentram-se os lançamentos domésticos e industriais, resultando em valores elevados de fósforo total e ocorrência de toxicidade. Mas em relação à qualidade da água para proteção da vida aquática e comunidades aquáticas, de oito pontos monitorados, houve piora em quase todos.

De acordo com o relatório, contribuiu para a piora do trecho inicial do rio, até Campinas, o aumento da toxicidade em julho, período de estiagem, em todos os pontos. O pior trecho do Rio Atibaia encontra-se entre Paulínia e Americana, recebendo contribuições importantes de esgotos domésticos e, também, de efluentes industriais. Em virtude das baixas vazões ocorreu aumento no alto grau de eutrofização e, sobretudo, baixos valores de oxigênio dissolvido ao longo do ano.

O Rio Jaguari também piorou. A escassez das chuvas fez com que esse manancial, entre Jaguariúna e Americana, saísse de qualidade boa para regular. A partir do município de Bragança Paulista, o Jaguari apresentou sistematicamente valores de oxigênio dissolvido inferiores ao limite mínimo estabelecido pela legislação embora se verifique uma melhora no trecho até Pedreira. Entre Paulínia e Americana o rio apresentou piora significativa em relação a anos anteriores, pois a baixa vazão resultou em valores de oxigênio dissolvido abaixo do estabelecido para preservação da vida aquática.

Em 2014, o Rio Piracicaba foi bastante influenciado pela escassez de chuva, tendo uma piora expressiva na qualidade de suas águas, principalmente, no trecho situado entre Limeira e Piracicaba, em função do aporte de poluentes provenientes das bacias do Tatu e Quilombo. A qualidade da água para a manutenção da vida aquática apresentou piora significativa com relação a 2013, mostrando-se comprometido para a proteção das comunidades, em decorrência das baixas vazões registradas em 2014. O trecho de montante, em Americana, já apresentou qualidade ruim, mas o trecho mais crítico ainda está situado entre os municípios de Limeira e Piracicaba, mostrando valores baixos de oxigênio dissolvido e elevadas concentrações de matéria orgânica.

O esgoto doméstico é, ainda, o maior responsável pela presença, acima dos padrões estabelecidos pela legislação, de indicadores de poluição das águas como coliformes termotolerantes, fósforo total, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), nitrogênio amoniacal e surfactantes, bem como de ferro, alumínio e manganês. Metais como zinco, cádmio, mercúrio e chumbo, que estão associados aos lançamentos de efluentes industriais, apresentaram pequeno número de resultados desconformes, o que indica a eficiência no controle das fontes industriais no Estado.

Em todo o Estado, 80% são regular, bom ou ótimo

Em função da escassez hídrica de 2014, a qualidade dos recursos hídricos no Estado de São Paulo apresentou uma leve piora em relação aos últimos cinco anos, segundo a Cetesb. De acordo com a classificação do Índice de Qualidade da Água (IQA), 80% dos pontos monitorados foram enquadrados nas categorias regular, boa e ótima.

Nos reservatórios que compõem o Sistema Cantareira, a qualidade da água pelo IQA enquadrou-se nas categorias boa e ótima, ressaltando-se que nos reservatórios Jaguari e Juqueri/Paiva Castro o IQA não mostrou alteração em relação ao ano anterior. Considerando a série histórica disponível, para cada um dos 200 pontos, 17 apresentaram uma diminuição sistemática dos valores do IQA, indicando tendência de piora no período compreendido entre 2009 e 2014.

Os rios Tietê e Piracicaba na maioria dos pontos de monitoramento apresentaram uma piora no Índice de Qualidade da Água (IQA), sendo, inclusive registradas duas ocorrências de mortandade com grande proporção. Por outro lado, as ações de saneamento e de controle das fontes industriais mantiveram 34 pontos com tendência de melhora. O Índice de Proteção da Vida Aquática (IVA) apresentou em 2014 um piora mais acentuada, com uma porcentagem de 69% dos pontos classificados nas categorias ótima, boa e regular. Essa piora foi ocasionada, principalmente, pelo aumento do estado de trofia dos corpos hídricos — que avalia a qualidade da água quanto ao enriquecimento por nutrientes e seu efeito relacionado ao crescimento excessivo das algas ou ao aumento da infestação de macrófitas aquáticas —, com 31% de ambientes eutrofizados — 11% mais que 2014. (MTC/AAN)