Publicado 09 de Maio de 2015 - 5h30

Cento e vinte alunos que são beneficiados pelo projeto polo de judô do Taquaral, através do convênio entre Prefeitura e a Associação Campineira de Judô (ACJ), tiveram ontem suas últimas aulas. Isso porque o professor, que era mantido pela ACJ, está trabalhando sem receber há quatro meses. Até o momento não conseguiu-se patrocínio para mantê-lo no projeto e, até que isso aconteça, as crianças atendidas ficarão sem aulas, que são realizadas em um espaço apropriado dentro do Ginásio do Taquaral.

A lei de regularização fiscal dos clubes de Campinas, aprovada no final do ano passado pelos vereadores, fez com que pelo menos quatro clubes deixassem de repassar parte do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para associações esportivas, como contrapartida de incentivo ao esporte. Nesse caso, o professor de judô e atleta da seleção brasileira master Pedro Ribeiro da Cruz, de 57 anos, que era mantido através desse incentivo de um determinado clube campineiro repassado à ACJ, foi dispensado.

“Eu me propus em ficar 40 dias de graça até que a situação se resolvesse e conseguisse encontrar outro patrocinador. Mas já se passaram quatro meses e infelizmente não tenho como continuar, apesar de estar em meu DNA o judô e gostar muito de dar aulas para essas crianças”, disse o professor. As crianças têm idades entre 5 e 17 anos, e as aulas acontecem de segunda, quarta e sexta-feira, em seis horários.

A notícia deixou pais e mães preocupados. “É uma situação que deixa a gente aflita, pois meu filho está tendo muito progresso em vários aspectos depois que iniciou no judô”, disse uma das mães, que preferiu não se identificar. Já o pai de um outro aluno, Roberto Filho, de 37 anos, acredita que os responsáveis entrarão em um consenso e a permanência do professor fique garantida. “Eu acredito que vão encontrar patrocinadores”, disse.

O coordenador do polo de judô do Taquaral e membro da ACJ, André Gomes, de 47 anos, informou que o professor foi registrado pela associação durante oito meses, e que nesse período todos os encargos do profissional foram pagos. Entretanto, desde o corte da contrapartida que financiava o salário, a ACJ não tem como arcar com os custos mensais do judoca.

“Esperamos que a Secretaria Municipal de Esporte consiga resolver essa situação. A ACJ já é parceira da secretaria desde 2007 através do Fiec (Fundo de Investimentos Esportivos de Campinas) e acreditamos que a situação será acertada e as crianças continuarão sendo beneficiadas”, disse Gomes. ACJ já possui um projeto de lei federal aprovado no valor de R$ 600 mil, e que estão à espera de captar parceiros.

A diretora municipal de Esportes de Campinas, Vanda Regina de Almeida, explicou que haverá uma reunião na próxima segunda-feira com membros da ACJ, e posteriormente com os pais de alunos, quando tentarão encontrar uma saída. Segundo Vanda, se não houver acordo, a parceria que viabiliza o projeto poderá se extinguir, já que a associação tem que dar uma contrapartida obrigatória (no caso oferecendo o profissional para os treinos). A secretaria não tem um professor de judô, e a forma de manter o judoca será através de parceiros externos.

“É preciso entender que precisamos de um tempo para poder acertar os detalhes. Minha função é incentivar o esporte e não criar atrito ou quebrar contrato. Pedi para que o professor continue a dar aulas na semana que vem.”

Sobre a lei dos clubes, Vanda informou que a matéria ainda não foi regulamentada. “Não está resolvido que os clubes não terão que dar contrapartidas. Ainda será discutido.”