Publicado 09 de Maio de 2015 - 5h30

O prefeito de Americana, Omar Najar (PMDB), enviou à Câmara de Vereadores projeto de lei que reajusta o seu subsídio, do vice-prefeito e dos secretários em 6,22%, em meio à crise financeira enfrentada pela cidade. O índice de reajuste é o mesmo concedido ao funcionalismo municipal no mês passado e inferior ao aumento salarial dos vereadores (7,3%).

Caso o reajuste seja aprovado, a remuneração do peemedebista passará de R$ 22,4 mil para R$ 23,8 mil e será a maior entre os prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Atualmente o título é do prefeito de Santa Bárbara d’Oeste, Denis Andia (PV), que recebe R$ 23,2 mil. O montante das duas cidades é superior até ao salário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de R$ 21,6 mil (já reajustado neste ano em 4,7%).

De acordo com o projeto, o subsídio do vice-prefeito e dos secretários em Americana passará de R$ 12.174,78 para R$ 12.932,05. O reajuste será concedido de forma retroativa a 1 de janeiro deste ano e a proposta ainda será submetida às comissões da Câmara antes de entrar na pauta de votação.

O prefeito Omar Najar ressaltou que o aumento é o mesmo recebido pelos servidores e disse que a legislação obriga a aplicação do reajuste. “Mandamos o projeto de acordo com a lei, nada diferente do funcionalismo. De acordo com o Departamento Jurídico, é obrigatório o reajuste. Se pudesse abriria mão, porque não me faz falta”, justificou. O peemedebista se mostrou surpreso ao ser informado que o seu rendimento seria o maior da região. “Sinceramente não sabia, a Prefeitura numa situação dessas... Não gosto disso, mas paciência”, completou.

Por outro lado, o prefeito da pequena Morungaba, José Roberto Zem (PV), detém o menor salário da região, com rendimento mensal de R$ 8.671,86. O valor é quase três vezes inferior à remuneração proposta pelo prefeito de Americana. “Não entrei na política para ganhar dinheiro e faz sete anos que meu salário não sofre reajuste”, afirmou Zem, que está em seu segundo mandato. Ele afirma que os salários dos vereadores do município também são baixos: R$ 1,8 mil.

Finanças

Americana vive a maior crise financeira de sua história. Diante da situação caótica, a Prefeitura anunciou que deverá adiar, a partir deste mês, pagamento a fornecedores e de impostos para tentar garantir o salário do funcionalismo. Apesar de ter anunciado ao longo desses quatro meses cortes em aluguéis, funcionários comissionados e demais despesas, a dívida da cidade é de R$ 1,2 bilhão, enquanto a previsão de receita para o ano que vem é de R$ 897 milhões.

“Nós estamos pagando religiosamente o que assumimos a partir do dia 9 (de janeiro, quando tomou posse). Não vamos deixar de pagar os fornecedores que assumimos, mas os anteriores estamos negociando e procurando ver as contas apresentadas”, disse Najar. Ele foi eleito em eleição suplementar após a cassação de Diego De Nadai (PSDB) pela Justiça Eleitoral.

Segundo balanço apresentado pela Administração no final de abril, até o momento foram cortados com custos de pessoal, gratificações, telefone celular e contratos cerca de R$ 54,5 milhões. Com aluguéis de imóveis foram desfeitos R$ 800 mil em contratos e com a frota de veículos oficiais, R$ 1,2 milhão por ano. A Prefeitura também renegociou R$ 150 milhões em dívidas com fornecedores, mas amarga R$ 1,2 bilhão em dívida com o INSS, com o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Americana (Ameriprev) e FGTS. Porém, a dimensão real do tamanho do rombo nas contas será conhecida somente no final de maio, na apresentação do balanço do primeiro quadrimestre.