Publicado 09 de Maio de 2015 - 5h30

Foi necessário o sistema de abastecimento das principais cidades na região Sudeste dar sinais de esgotamento para que o tema ganhasse uma dimensão política importante. A fase mais crítica da falta de água que levou ao esvaziamento das represas do complexo Cantareira coincidiu com as eleições passadas, fornecendo vasto material crítico para a oposição. A população passou a acompanhar a queda do nível das represas centímetro por centímetro, em angustiante expectativa de um período de chuvas que pudesse amenizar os efeitos da maior estiagem registrada em décadas.

A crise hídrica obrigou a uma forma de racionamento que, se não chegou a ser radical, trouxe contratempos para as famílias que não contavam com recursos de armazenamento. Mesmo assim, nem mesmo a retomada da temporada de chuvas aliviou o sistema ou serviu para recompor os níveis ideais dos reservatórios, que operam no Sistema Cantareira com a utilização do volume morto. A entrada de um novo período de estiagem prolongada, típica dos meses de Inverno, lança uma perspectiva pessimista para este ano. O desafio será administrar o sistema distribuindo de forma equitativa para os municípios, evitando o colapso total de abastecimento. Aí entra o debate político sobre a forma de gestão.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quer autorização para retirar até 31 metros cúbicos por segundo (m3/s) nos próximos dez anos do Sistema Cantareira para abastecer a Grande São Paulo. Com isso, restará para a região de Campinas uma cota de 5m3/s, considerada insuficiente. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) pleiteia uma cota entre 8m3/s e 12m3/s (Correio Popular, 6/5, A4). Está aberto o embate que deverá ter um pesado componente político, daí a necessidade de se articularem as frentes a partir do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas para impor uma condição satisfatória que não seja entrave para o crescimento regional e que respeite o equilíbrio na distribuição proporcional, repartindo o ônus entre todos os envolvidos.

Em meio às ponderações sobre a repartição dos recursos, não podem ficar fora da agenda as providências para se implantarem as medidas necessárias para evitar novos riscos de desabastecimento futuro, além do trabalho de longo prazo para a reconstituição da flora, fauna e mananciais, duramente prejudicados pela falta de água prolongada e de planejamento que evitasse a destruição da natureza.