Publicado 07 de Maio de 2015 - 5h30

Os cinco ex-policiais militares acusados de participação na morte do adolescente Joab Gama das Neves, de 17 anos, em Campinas, durante a chacina de janeiro de 2014, que fez 12 vítimas, tiveram a prisão domiciliar revogada pela 2 Vara do Júri e foram novamente presos na manhã de ontem. A sentença atende a pedido feito pelo Ministério Público (MP).

Segundo o delegado do 1 Distrito Policial (DP), José Carlos Fernandes, os ex-militares se apresentaram espontaneamente, com seus advogados. Os cinco foram expulsos da corporação no ano passado e estavam em prisão domiciliar. Eles foram encaminhados para uma unidade prisional do Estado que não teve o nome revelado por medida de segurança dos suspeitos. Segundo Fernandes, todos ficarão isolados dos presos comuns porque correm risco de morte.

Os ex-policiais estão presos preventivamente. Eles ainda não foram julgados. Os assassinatos em série ocorreram na periferia de Campinas entre a noite do dia 12 e a madrugada do dia 13 de janeiro. A única morte considerada esclarecida até o momento é a de Joab, que foi baleado na cabeça. A participação dos ex-PMs na morte só foi confirmada porque um dos policiais ouvidos durante a investigação teria sido reconhecido por uma testemunha que presenciou o crime. A partir dessa identificação, os investigadores chegaram aos nomes dos outros policiais que também estavam trabalhando naquela noite.

As outras 11 mortes da chacina — a apuração considera que elas estejam ligadas — ainda seguem sem esclarecimento.

Seis policiais foram denunciados por homicídio duplamente qualificado. Cinco chegaram a cumprir prisão preventiva no Presídio Militar Romão Gomes, exclusivo para policiais que cometem crimes, mas foram libertados em junho. Na época, os PMs voltaram a trabalhar no seu batalhão, mas realizavam tarefas administrativas.

Todos os acusados estavam lotados no 47 BPM (Batalhão da Polícia Militar), que atua na região onde ocorreram os crimes em série. Eles foram presos pela primeira vez em 30 de janeiro de 2014 e foram exonerados no dia 2 de dezembro do mesmo ano.

Os suspeitos estavam soltos desde junho do ano passado, quando o juiz da 2 Vara do Júri, Sérgio Araújo Gomes, revogou a prisão, após análise de recurso. Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça acatou o pedido do MP de Campinas e revogou a liberdade provisória dos cinco ex-policiais. Eles estavam em regime de prisão domiciliar.