Publicado 06 de Maio de 2015 - 5h30

Cinco meses após sua morte, o corpo do presidente da ONG Casa de Apoio Grupo da Amizade, Cassimiro Lopes Moreira, de 54 anos, foi velado e enterrado no Cemitério dos Amarais ontem pela manhã. O corpo de Miro, como era chamado, foi encontrado no início de dezembro em uma mata no Jardim de Mônaco, em Hortolândia, queimado e sem a cabeça, os pés e as mãos.

O velório e enterro foram rápidos (menos de uma hora) porque o corpo estava em avançado estado de decomposição. Até então, estava guardado em um local refrigerado. O enterro foi marcado por comoção de familiares e amigos. Miro comandava a entidade que cuida de soropositivos e moradores de rua há 18 anos. Ele desapareceu no dia 28 de novembro, e seu corpo foi achado no dia 7 de dezembro do ano passado. No bolso da bermuda havia um cartão de benefício em nome de uma pessoa atendida pela entidade e uma dentadura. A polícia suspeita que o presidente da ONG tenha sido torturado antes de ser morto. A filha dele, Angélica Lopes, afirmou que o enterro é a primeira parte, e que a família quer encontrar o culpado. Ela estava abalada e evitou conversar com a imprensa no local. A demora para o enterro ocorreu porque houve dificuldade em reconhecer e identificar o corpo. O reconhecimento veio após um exame de DNA, que atestou que o corpo carbonizado era do ativista. O atestado de óbito foi expedido ontem. “Como amiga há 25 anos de Miro, fico contente que conseguimos dar esse ponto final. Foi um crime cruel, com alguém bom, dedicado e solícito”, disse a presidente do Movimento Felipe Selhi pela Paz e Segurança, Paula Selhi, que representa a família de Miro. Ela afirmou que, apesar do processo ter sido mais rápido que o normal, houve burocracia para enterrar Miro. O exame de DNA costuma ficar pronto em um período que varia entre seis e oito meses. As autoridades que cuidavam do caso aceleraram o processo a pedido da família. Além de queimado, o corpo estava sem a cabeça, as mãos e os pés. O crime é investigado pelo 2 Distrito Policial (DP) de Hortolândia e foram descartadas a hipótese de latrocínio — roubo seguido de morte — e de crime passional. A vítima foi localizada a cerca de 500 metros do local onde estava seu carro, encontrado queimado na noite de 29 de novembro, na Estrada Municipal Pedrina Guilherme, no Residencial Firenze. A nova teoria trabalhada pela Polícia Civil ainda não foi informada, sob alegação de preservar a investigação. (Sarah Brito/AAN)