Publicado 08 de Maio de 2015 - 5h30

O Guarani de Assunção tem a 15 campanha entre os 16 times que chegaram às oitavas da Libertadores. Isso não quer dizer muita coisa porque a pior campanha é do River Plate, adversário que nenhum time gostaria de enfrentar.

Mas o Guarani não é argentino, não levou nem dez mil torcedores ao estádio e não tem dois títulos da Libertadores. Com todo respeito, é um adversário que seria escolhido por muitos times, se isso fosse possível. O diretor de futebol do Corinthians, Sergio Janikian, foi bem claro em relação a isso: “Graças a Deus não pegamos um argentino ou brasileiro e sim o Guarani”.

Pois esse Guarani de Bartomeus, Palau e Santander, dirigido por Fernando Jubero, passeou em cima do Corinthians de Cássio, Gil, Ralf, Elias, Guerrero e Tite.

Não é coisa de outro mundo perder fora de casa na fase de mata-mata da Libertadores. Na verdade, é bem difícil pontuar como visitante.

Mas o resultado de quarta-feira foi surpreendente porque um coadjuvante venceu um favorito ao título, com a considerável vantagem de dois gols.

O duelo ainda não acabou e o Timão tem tudo para sair de campo classificado em Itaquera. Mas até onde pode ir um time que perde por 2 a 0 para o Guarani, apresentando um futebol tão pobre? Onde está o Corinthians que foi tão elogiado no início da temporada? Por que o time que estava sobrando na Libertadores e no Paulista caiu tanto de produção?

Provavelmente não foi apenas um fator que provocou a queda de rendimento da equipe, mas acredito que o atraso nos salários tem grande influência nessa sequência ruim do time.

Há meses que o elenco recebe apenas parte do salário. Para um clube que tem excelente média de público e que recebe a maior cota de TV do País, fica difícil explicar aos jogadores porque eles não recebem corretamente há tanto tempo.

O Corinthians do início do ano era muito competitivo, difícil de ser batido. Agora, os resultados ruins vão se acumulando e o nível das atuações é muito inferior.

A solução para esse problema é bem simples. A diretoria só precisa cumprir a sua obrigação para que o elenco volte a se concentrar apenas no trabalho. Ontem o diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovezan, disse que não vê nenhuma relação entre os atrasos e a queda de rendimento do time porque acredita no profissionalismo do elenco. Aparentemente, ele não percebeu que, nesse caso, está faltando profissionalismo à diretoria e não aos jogadores.